Parque Pós-Mineração e Novas Centralidades Urbanas
Conceito do plano
A proposta busca transformar as áreas degradadas pela mineração em Águas Claras e no Taquaril em uma nova estrutura urbano-ambiental capaz de integrar habitação, mobilidade, lazer e recuperação paisagística. A futura centralidade de transporte em Águas Claras é entendida como elemento organizador do território, articulada a parques públicos, equipamentos coletivos e espaços culturais, promovendo uma ocupação que combine desenvolvimento imobiliário e preservação ambiental. O projeto evita modelos de urbanização fechados, propondo uma cidade mais permeável e conectada ao espaço público.
No Taquaril, o plano prevê um bairro predominantemente residencial, com habitações coletivas, comércio local e equipamentos públicos integrados ao cotidiano urbano, visando a criação de atrativos públicos, evitando-se proliferação de condomínios de uso restrito
Delimitação da área do plano
O setor trabalhado compreende as áreas das minas de Águas Claras e do Taquaril, em uma região marcada pela presença histórica da mineração e pela proximidade com importantes eixos urbanos e ambientais da metrópole. O território é caracterizado por grandes vazios resultantes da atividade mineradora, extensas áreas de encosta e pela presença de conexões estratégicas de mobilidade, especialmente em Águas Claras, onde a futura centralidade de transporte estrutura a proposta urbana.
Do ponto de vista ambiental, o setor apresenta relevo acidentado, fundos de vale, áreas de drenagem natural e topos de morro que condicionam a ocupação urbana e demandam estratégias específicas de preservação. As áreas mais frágeis ambientalmente são destinadas à implantação de parques e áreas livres, evitando edificações em terrenos de difícil acesso, suscetíveis a alagamentos ou instabilidade. Dessa forma, os limites físicos e ambientais do território não são entendidos como barreiras ao desenvolvimento, mas como elementos estruturadores do plano urbano, orientando uma ocupação mais integrada à paisagem e às dinâmicas ecológicas locais.
Objetivo geral: Transformar as áreas degradadas pela mineração da Serra do Curral, especialmente a Mina de Águas Claras e os territórios minerados próximos ao Taquaril, em um programa de parques ambientais, centralidades urbanas e núcleos de ocupação controlada, que conciliam a recuperação ecológica, mobilidade sustentável, preservação paisagística e desenvolvimento urbano de uso misto.
Objetivos específicos:
Propor estratégias de recuperação ambiental e paisagístico dos territórios degradados;
Pensar novas centralidades urbanas integradas à mobilidade, fomentando o acesso aos serviços, equipamentos e habitação ali propostos;
Promover uma ocupação urbana que não ocasione na segregação do espaço, por meio de propostas de fluxos e conectividade com o restante do meio urbano;
Articular a urbanização e a preservação ambiental, respeitando as condicionantes naturais, interesses de conservação e reduzindo riscos.
Diretrizes do plano
Implantar um parque ambiental na antiga Mina de Águas Claras
Reforçar uma centralidade urbana na entrada da Mina de Águas Claras estabelecida por um nó intermodal proposto
Reduzir a dependência do automóvel através da priorização do transporte coletivo, da mobilidade ativa e de modais férreos e aéreos;
Promover a integração territorial entre Belo Horizonte, Nova Lima e Sabará por meio de conexões urbanas, paisagísticas e de mobilidade;
Estruturar um novo bairro-parque na região do Taquaril com ocupação controlada e adaptada às condicionantes topográficas e ambientais;
Preservar fundos de vale, áreas inundáveis, topos de morro e encostas de elevada declividade, evitando ocupações em áreas ambientalmente frágeis;
Evitar processos de segregação urbana, como a formação de condomínios fechados, através de diretrizes e parâmetros urbanos;
Desenvolver uma ocupação urbana de baixa verticalização, que não conflitam com a paisagem e os interesses de conservação ambiental da Serra do Curral;
Programa Urbanístico-Ambiental-Infraestrutural
Implantação de bairro residencial no Taquaril com capacidade para aproximadamente 10 mil moradores, priorizando habitações coletivas e ocupações integradas ao espaço urbano.
Inserção de comércio local e serviços de proximidade junto às áreas residenciais, promovendo usos mistos e maior vitalidade urbana no cotidiano do bairro.
Desenvolvimento de tipologias habitacionais compatíveis com a paisagem e a topografia, evitando ocupações que descaracterizem o território ou gerem impactos ambientais significativos.
Definição de zoneamento urbano-ambiental organizando áreas residenciais, comerciais, espaços públicos e áreas de preservação de acordo com as condições ambientais e urbanas do Taquaril.
ESTRUTURA DO ZONEAMENTO PROPOSTO
ZPRM — Zona de Parque e Recuperação Ambiental
Localização:
Área correspondente ao interior da antiga Mina de Águas Claras e setores ambientalmente frágeis associados.
Objetivos:
Recuperar ecossistemas degradados pela mineração;
Restabelecer conectividade ecológica;
Transformar a área em parque ambiental metropolitano;
Compatibilizar preservação, pesquisa ambiental e ecoturismo controlado.
Diretrizes Urbanístico-Ambientais:
Proibição de ocupação residencial permanente;
Recuperação vegetal com espécies nativas;
Preservação integral de áreas de fundo de vale e drenagens naturais;
Implantação de trilhas ecológicas, mirantes e equipamentos leves de apoio;
Requalificação paisagística das cavas mineradas;
Criação de áreas de educação ambiental e pesquisa científica.
Infraestrutura Verde e Drenagem:
Bacias de retenção naturalizadas;
Recuperação de nascentes;
Sistemas para contenção de erosão;
Reflorestamento de encostas.
Mobilidade:
Prioridade absoluta para circulação não motorizada;
Acesso interno apenas por transporte coletivo de baixa emissão;
Rede de ciclovias e trilhas interligadas ao parque.
ZGE — Zona de Grandes Equipamentos
Localização:
Extremidade da Mina de Águas Claras, funcionando como portal de acesso ao parque e principal centralidade de mobilidade.
Objetivos:
Implantar nó multimodal metropolitano;
Consolidar centralidade cultural e pública;
Reduzir circulação de automóveis no interior da Serra;
Funcionar como interface entre cidade, parque e sistemas de transporte.
Usos Permitidos:
Terminais de ônibus metropolitanos;
Estações de monotrilho e teleférico;
Equipamentos culturais;
Museus;
Centros de visitantes;
Auditórios;
Centros de educação ambiental;
Comércio de apoio;
Diretrizes Urbanísticas:
Grandes praças públicas de integração;
Edificações de baixo impacto ambiental;
Prioridade para espaços livres e permeáveis;
Limitação de estacionamentos para carros.
Mobilidade
Último ponto de acesso para automóveis particulares;
Integração ônibus + monotrilho + teleférico;
Distribuição prioritária por modais coletivos.
Infraestrutura Verde e Drenagem:
Preconização da permeabilidade;
Arborização intensiva;
Reuso de água;
Energia renovável.
ZOCT— Zona de Ocupação Controlada Taquaril
Localização:
Área minerada desativada próxima ao Taquaril.
Objetivos:
Implantar novo bairro compacto e ambientalmente adaptado;
Criar centralidade urbana conectada ao parque;
Promover diversidade funcional e social;
Evitar expansão baseada em condomínios fechados;
Integrar urbanização e preservação ambiental.
Diretrizes Urbanísticas:
Ocupação condicionada ao relevo: Ocupações apenas em áreas já estabilizadas e com menor declividade aliada á preservação de fundos de vale, áreas inundáveis e topos de morro;
O gabarito deve considerar uma altura máxima de 4 pavimentos e priorizar o escalonamento conforme topografia;
Devem ser priorizadas habitações multifamiliares de média densidade;
Uso misto obrigatório em eixos estruturantes com térreos ativos e comerciais. Sendo assim, o bairro deverá comportar: escolas, hospitais, centros de saúde, museus, cinemas, teatros, bibliotecas, centros esportivos e comércio local e serviços;
O tecido urbano deve possuir equipamentos de uso público distribuídos;
Mobilidade
A mobilidade e integração territorial deve ser hierarquizada de maneira que priorize a mobilidade ativa e o transporte coletivo. Dessa forma, deve-se prever calçadas amplas, existir uma rede cicloviária integrada com o resto da mancha urbana, prever uma conexão direta ao nó multimodal proposto, propor com teleféricos conectando áreas de maior declividade, integrar o novo bairro com transporte metropolitano e, por fim, prever elevadores urbanos quando necessário para garantia da acessibilidade;
Infraestrutura Verde e Drenagem:
Criação de parques lineares em fundos de vale;
Arborização urbana intensiva;
Altas taxas de permeabilidade e priorizar pavimentos drenantes;
Programa Tipologias-Uso
Descrever as propostas de arquiteturas, paisagismo, infraestruturas, equipamentos públicos, mobiliário urbano e usos previstos.
Arquiteturas
Tipologia arquitetônica proposta para a ocupação no Taquaril
A proposta arquitetônica para o Taquaril busca estabelecer uma relação mais integrada entre ocupação urbana e paisagem natural, adotando tipologias em degraus que acompanham o ritmo da topografia existente. Em vez da implantação de torres verticais isoladas, as edificações se distribuem horizontalmente ao longo das encostas, adaptando-se ao relevo e reduzindo impactos visuais e ambientais. Essa estratégia permite melhor inserção na paisagem, maior aproveitamento da ventilação e iluminação natural, além da criação de terraços, áreas verdes e espaços coletivos integrados à arquitetura
Equipamentos
Tipologia urbana proposta para a ocupação no TaquarilEspaços culturais, esportivos, educacionais e de lazer atraem diferentes públicos ao longo do dia, estimulando circulação, convivência e apropriação coletiva do território. A presença desses equipamentos fortalece a vida urbana, cria centralidades locais e amplia o senso de pertencimento dos moradores em relação ao espaço público. Além disso, a distribuição de serviços e equipamentos coletivos reduz a dependência de deslocamentos para outras áreas da cidade e contribui para uma ocupação mais dinâmica e diversa. Ao combinar habitação, comércio local, parques e infraestrutura pública, o bairro passa a funcionar como parte ativa da malha urbana, promovendo integração social e evitando a lógica de segregação frequentemente associada a condomínios fechados. Dessa forma, os equipamentos públicos atuam como elementos estruturadores da urbanidade e da integração territorial.
Mobiliário urbano
Nas áreas de lazer e convivência, podem ser implantados playgrounds, academias ao ar livre, mobiliários modulares para encontros e pequenos eventos, mesas comunitárias e espaços de contemplação voltados para a paisagem. Em conjunto com arborização e infraestrutura verde, esses equipamentos ajudam a criar ambientes mais humanizados e seguros, estimulando o uso coletivo e reforçando a identidade urbana do Taquaril como um bairro aberto, ativo e integrado à paisagem natural.