Novas Centralidades

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Parque Pós-Mineração e Novas Centralidades Urbanas

Conceito do plano

O plano se fundamenta em uma abordagem integrada entre forma urbana e desempenho territorial, articulando conceitos contemporâneos de planejamento com ferramentas analíticas orientadas por dados. Além disso, parte do entendimento de que o desenho urbano não deve apenas responder a condicionantes existentes, mas antecipar cenários e estruturar o território de maneira propositiva, conciliando ocupação, infraestrutura e meio ambiente. Nesse sentido, o projeto apoia-se em dois eixos conceituais principais: o Urbanismo da Paisagem, como forma espacial, e a análise de comportamento e desempenho urbano, como método de dimensionamento.

Urbanismo da Paisagem

O Urbanismo da Paisagem (Landscape Urbanism) trata a paisagem como infraestrutura estruturadora do território (WALDHEIM, 2016). Essa abordagem emerge como resposta às limitações do urbanismo moderno, no qual os modelos formais e determinados se mostram insuficientes diante da complexidade, instabilidade e escala dos fenômenos urbanos atuais. Em contraposição a uma lógica compositiva baseada em objetos fixos, o Urbanismo da Paisagem introduz uma visão processual, na qual o projeto urbano é concebido como um sistema aberto, dinâmico e adaptativo, capaz de absorver transformações ao longo do tempo. Além disso, é uma crítica à disciplina, frequentemente reduzida a um papel secundário, atuando como suporte cenográfico para ambientes concebidos e instrumentalizados por outras áreas. Essa condição restringe seu potencial crítico e operativo, esvaziando sua capacidade de atuar como agente estruturador do território (CORNER,1999).

Nesse sentido, os espaços livres e áreas verdes deixam de ser elementos residuais e assumem papel organizador da ocupação urbana. Os sistemas naturais, como topografia, drenagem, cobertura vegetal e fluxos ecológicos, orientam a ocupação urbana, definindo limites, hierarquias e relações espaciais. Mais do que a presença do verde, esse conceito implica a leitura dos sistemas naturais como base para a estruturação do tecido urbano, orientando continuidades e articulando a dinâmica entre cheios e vazios. Nesse modelo, a infraestrutura ambiental, como retenção e infiltração de águas pluviais, corredores ecológicos e áreas de amortecimento, é concebida simultaneamente como espaço público e como suporte funcional da cidade.

Experiências que exemplificam a aplicação dos princípios do Urbanismo da Paisagem ao estruturarem o território a partir de processos ecológicos, infraestruturais e do uso urbano de forma dinâmica:

O Downsview Park, em Toronto, no Canadá, é um projeto desenvolvido a partir da transformação de uma antiga área militar e aeroportuária em um parque urbano de grande escala. Concebido a partir de um concurso internacional, por Rem Koolhaas (OMA) em colaboração com James Corner, não foi concebido como um desenho finalizado, mas como um sistema em constante construção. O projeto organiza o território a partir de grandes faixas e sistemas, como áreas de vegetação, infraestruturas e zonas de uso, que não são fixas, mas pensadas para evoluir, se sobrepor e se transformar. A ideia central não é desenhar um parque acabado, mas criar uma estrutura capaz de orientar ocupações futuras.

O Emscher Landscape Park, desenvolvido na região do Ruhr no contexto do IBA Emscher Park, corresponde à requalificação de uma extensa região industrial no vale do Ruhr, na Alemanha. Nele, 117 projetos de planejamento paisagístico e desenvolvimento urbano, abrangendo mais de 800 quilômetros quadrados, foram implementados para a renovação ecológica, econômica e cultural da antiga região industrial. Os projetos da IBA foram agrupados em seis temas centrais: trabalho no parque, novas construções e modernização de conjuntos habitacionais, renovação ecológica do sistema Emscher, promoção do desenvolvimento urbano e estímulos sociais para o desenvolvimento urbano, bem como o estabelecimento de uma estrutura de parque regional. Essas intervenções foram realizadas de forma integrada e distribuída no território, constituindo um sistema regional que articula infraestrutura, ecologia e uso urbano como base para a transformação da paisagem pós-industrial.

Análise de Comportamento e Desempenho

A análise de comportamento e desempenho urbano constitui um dos eixos centrais das abordagens orientadas por dados. Nessa proposta, o desenho urbano não parte de uma decisão formal ou compositiva do espaço, mas sim da leitura e quantificação das dinâmicas já existentes, como densidade populacional, mobilidade, infraestrutura e uso do solo. A exemplo disso, é a sua aplicação nas propostas para o Grand Paris desenvolvidas pelo escritório MVRDV, o chamado Paris Plus Petit, que é uma das dez propostas elaboradas por equipes internacionais de arquitetura e urbanismo para imaginar o futuro da capital francesa e sua região metropolitana.

Essa lógica é diretamente influenciada pelo City Calculator©, uma ferramenta conceitual desenvolvida pelo escritório que permite simular cenários urbanos a partir de indicadores mensuráveis. Por meio dessa abordagem, a cidade passa a ser compreendida como um sistema passível de análise quantitativa, no qual diferentes variáveis podem ser ajustadas para testar impactos e otimizar decisões projetuais.

No contexto do Grand Paris, essa metodologia se traduz na formulação de estratégias urbanas baseadas na infraestrutura existente e na demanda urbana real, priorizando a eficiência do uso do território. Em vez de expandir de modo incontrolável a cidade, as propostas buscam identificar áreas com maior capacidade de adensamento, melhor servidas por transporte e infraestrutura, promovendo uma ocupação mais racional e sustentável.

Dessa forma, o masterplan deixa de ser uma proposição rígida, passando a operar como um modelo dinâmico, construído a partir de métricas e cenários. Essa mudança garante maior coerência entre ocupação urbana e capacidade de suporte, ao mesmo tempo em que permite adaptações ao longo do tempo, conforme novas demandas e dados se tornam disponíveis. Nesse sentido, a cidade é concebida como um sistema mensurável e ajustável, no qual o desenho emerge da interação entre dados, processos e objetivos estratégicos.


Delimitação da área do plano

Delimitação do plano das novas centralidades. Download do PDF.

A delimitação do plano das Novas Centralidades abrange as áreas remanescentes da Mina de Águas Claras, bem como outras áreas mineradas da região, caracterizadas pela presença histórica da atividade mineradora e pela proximidade com importantes eixos urbanos e ambientais nos limites entre Belo Horizonte e Nova Lima.

A Mina de Águas Claras, operada pela antiga MBR (Minerações Brasileiras Reunidas), estendeu-se da década de 1970 até se exaurir em 2006, sendo uma das principais áreas de extração de minério de ferro na região. Desde então, a área encontra-se em processo vinculado ao Plano de Fechamento de Mina, sob diretrizes patrimoniais e ambientais, incluindo a atuação do IEPHA-MG. Esse processo, porém, não se restringe à recuperação técnica do sítio, mas envolve disputas e reflexões mais amplas sobre a destinação do território.

No que tange às áreas mineradas da região, a Mina Corumi, no Taquaril, se trata de uma exploração mineral que ocorreu de maneira mais fragmentada e com menor escala em relação à Mina de Águas Claras, mas igualmente responsável por impactos significativos na paisagem local. Atualmente, essas áreas apresentam condições de degradação ambiental e instabilidade geomorfológica, configurando-se como espaços potenciais para ações de recuperação e requalificação. Desse modo, destaca-se a existência de diversas outras áreas mineradas na região passíveis de requalificação, ampliando as possibilidades de atuação futura e reforçando o entendimento do território como um conjunto de vazios estratégicos a serem reintegrados às dinâmicas ambientais e urbanas.

A Serra do Curral, onde se insere a mina, apresenta uma condição única: ao mesmo tempo em que constitui um ativo econômico historicamente explorado pela riqueza mineral, também é um ativo ambiental importante pela vegetação, animais e nascentes (CUSTÓDIO; RIBEIRO, 2021). Nesse sentido, a atividade minerária, ao longo de décadas, foi responsável por profundas transformações na vertente sul da serra, reconfigurando sua morfologia, hidrologia e dinâmicas ambientais.

Como resultado desse processo, o território apresenta, atualmente, extensos vazios gerados pelas áreas degradadas, caracterizadas por grandes taludes, platôs artificiais e encostas. Apesar de marcados pela degradação, esses espaços revelam um potencial estratégico para requalificação territorial, dada sua proximidade com áreas urbanizadas, como os bairros Belvedere e Vila da Serra, além de sua inserção em uma zona de transição entre o tecido urbano consolidado e importantes áreas de preservação ambiental. Tal conexão territorial é estabelecida pelos arredores do topo da Serra do Curral com unidades de conservação relevantes, como o Parque da Serra do Curral e o Parque das Mangabeiras. Sendo assim, a atuação do Setor 2 deriva da potencialidade de articulação entre sistemas ecológicos e urbanos, podendo atuar como um corredor ambiental e paisagístico, ao mesmo tempo em que se apresenta como espaço de mediação local entre processos de preservação e pressões de urbanização.

Objetivos do plano

  • Objetivo geral: Promover uma requalificação para as áreas degradadas pela mineração da Mina de Águas Claras, por meio da proposição de um programa integrado de parque e novas centralidades urbanas que conciliem a recuperação ecológica, a mobilidade inter-regional, a preservação paisagística e um desenvolvimento urbano de uso misto.
  • Objetivos específicos:
    • Propor uma nova centralidade urbana na área de platô Mina de Águas Claras, que seja estruturada por usos mistos, incluindo habitação, serviços e equipamentos urbanos;
    • Propor um parque nas áreas de entorno da cava da Mina de Águas Claras;
    • Integrar a nova centralidade urbana ao nó multimodal e ao novo parque no entorno da cava;
    • Promover a integração territorial entre a nova ocupação, o tecido urbano existente e o novo parque proposto;
    • Priorizar uma mobilidade nessas novas centralidades com transporte coletivo e transporte ativo;
    • Prever estratégias de recuperação ambiental e paisagísticas para o parque e a nova centralidade na Mina de Águas Claras;
    • Articular na Mina de Águas Claras a urbanização e a recuperação ambiental, respeitando as condicionantes naturais, interesses de conservação e reduzindo impactos paisagísticos e ambientais.

Diretrizes do plano

  • Utilizar a antiga estrutura territorial da mina de Águas Claras como suporte para a implantação da nova malha urbana e de um parque;
  • Consolidar a Mina de Águas Claras como uma nova centralidade articulada a um nó multimodal;
  • Promover um modelo urbano de uso misto com predominância habitacional associado a serviços, equipamentos públicos e espaços de permanência;
  • Priorizar soluções urbanas que incentivem o transporte coletivo, os deslocamentos ativos e a redução do uso do automóvel;
  • Concentrar as ocupações em áreas estabilizadas de menor sensibilidade ambiental;
  • Preservar as áreas inundáveis, os topos de morro e eixos de drenagem natural como infraestruturas ecológicas nos limites do território;
  • Desenvolver uma ocupação de baixa verticalização integrada à topografia e à paisagem da Serra do Curral;
  • Distribuir equipamentos públicos e centralidades de bairro de forma uniforme;
  • Estimular a diversidade social e funcional por meio da não implantação de condomínios fechados e da priorização de espaços públicos acessíveis;
  • Garantir a conectividade entre áreas verdes e espaços livres, de forma a compor a paisagem urbana

Programa Urbanístico-Ambiental-Infraestrutural

Bairro - Parque Águas Claras

Implantação Geral do Bairro-Parque. Download do PNG.

O Bairro-Parque Águas Claras surge como a materialização projetual dos eixos teóricos que fundamentam este plano, consolidando-se como um modelo propositivo de desenvolvimento sustentável para territórios pós-mineração. A proposta parte do entendimento de que os processos de regeneração territorial nessas áreas devem articular ocupação urbana, preservação paisagística e infraestrutura ecológica, conciliando o desenvolvimento urbano metropolitano com a conservação da Serra do Curral.

Sob essa perspectiva, o projeto busca reverter o cenário de degradação ambiental decorrente da atividade minerária por meio de uma ocupação consciente, compacta e de baixa verticalização, estruturada a partir de três conceitos fundamentais: a simbiose entre urbanização e paisagem, inspirada nos princípios do Urbanismo da Paisagem (Landscape Urbanism); a promoção da vitalidade urbana por meio da qualificação do espaço público coletivo; e a constituição de uma transição eco-urbana capaz de mediar as relações entre os sistemas naturais e a nova ocupação.

Nesse contexto, propõe-se a criação de um bairro-parque estruturado pela coexistência entre áreas residenciais, comerciais, de serviços e institucionais, associadas a equipamentos públicos e amplos espaços livres, tendo a paisagem como elemento estruturador da ocupação. Diferentemente dos modelos tradicionais de expansão urbana observados em Belo Horizonte, a proposta estabelece uma ocupação compacta, integrada à topografia e de baixa verticalização, priorizando a mobilidade ativa, a diversidade funcional e a conexão permanente entre cidade e natureza.

O novo bairro é concebido como um território capaz de articular uma nova centralidade urbana à um parque implantado no entorno da cava, constituindo um sistema contínuo de espaços públicos, áreas verdes e infraestruturas ambientais que reforçam a identidade paisagística da Serra do Curral e contribuem para a construção de uma nova relação entre urbanização e meio ambiente.

Diretrizes

Áreas Verdes Preservadas. Download do PNG.
Áreas Verdes Preservadas. Download do PNG.
Modais de Transporte. Download do PNG.
Modais de Transporte. Download do PNG.

As diretrizes do programa Urbanístico-Ambiental-Infraestrutural irão nortear as escolhas projetuais, tanto tipológicas, mas também na quantificação das métricas a serem implementadas no plano:

  • Implantação de bairro residencial na Mina de Águas Claras com capacidade para aproximadamente 8 mil moradores, priorizando habitações coletivas e ocupações integradas ao espaço urbano.
  • Inserção de comércio local e serviços de proximidade junto às áreas residenciais, promovendo usos mistos e maior vitalidade urbana no cotidiano do bairro.
  • Desenvolvimento de tipologias habitacionais integradas à paisagem local, promovendo formas de ocupação que preservem as características do território e minimizem impactos ambientais, articulando de maneira equilibrada os usos residenciais e de lazer.
  • Definição de zoneamento urbano-ambiental organizando áreas residenciais, comerciais, espaços públicos e áreas de preservação de acordo com as condições ambientais e urbanas da Mina de Águas Claras

Análise de Comportamento

Para a estimativa da infraestrutura do Bairro-parque Águas Claras, adotou-se como referência um bairro consolidado de Belo Horizonte, cujos dados de área total, população e densidade foram utilizados como parâmetros para a definição da volumetria e da ocupação do novo território. O bairro selecionado foi o Belvedere, localizado na divisa com Nova Lima (Vila da Serra). A partir da análise dos padrões de comportamento urbano e desempenho territorial observados nesse contexto, estabelece-se, de forma sintética, um conjunto de parâmetros orientadores para a formulação do programa urbanístico do Bairro-parque Águas Claras. Essa abordagem permite a transposição de referências consolidadas para um novo contexto, adaptando-as às especificidades locais e às diretrizes projetuais adotadas. Foram considerados como parâmetros os seguintes dados do bairro Belvedere, com base no IBGE (2010):

  • Área total: aproximadamente 2,87 km² (287 ha)
  • População prevista: aproximadamente 7.800 habitantes
  • Densidade populacional: aproximadamente 2.680 hab/km²

Uso Residencial

  • População atendida: 7.800 habitantes
  • Índice volumétrico adotado: 150 m³/habitante
  • Altimetria máxima: 9 metros
  • Referência construtiva: pavimentos com pé-direito médio de 3 metros

Área residencial total:

  • 7.800 habitantes × 150 m³/habitante ÷ 9 m (habitações coletivas de 3 pavimentos)
  • Mancha de ocupação residencial: 130.000 m²

Volumetria residencial total:

  • 7.800 habitantes × 150 m³/habitante
  • Volumetria total: 1.170.000 m³ = 0,00117 km³

Quantificação das unidades residenciais:

Parâmetro Valor
População prevista 7.800 habitantes
Número de edifícios 120
Habitantes por edifício 65
Volume de cada edifício 9.750 m³
Moradores por unidade 3
Unidades por edifício 22 (média)
Pavimentos por edifício 3
Unidades por pavimento 7 a 8
Área por unidade 52 m²

Uso Comercial e de Serviços

  • Área construída: 440.000 m²
  • Referência construtiva: 4 metros por pavimento

Volumetria comercial total:

  • 440.000 m² × 4 m
  • Volumetria total: 1.760.000 m³ = 0,00176 km³

Quantificação das unidades comerciais e de serviços:

Foram considerados cerca de 20 edifícios distribuídos ao longo da implantação e além dos edifícios apenas comerciais e de serviço, os edifícios residenciais podem receber pavimentos térreos comerciais.

Equipamentos Públicos e Institucionais

  • Área construída: 150.000 m²
  • Referência construtiva: 4 metros por pavimento

Volumetria institucional total:

  • 150.000 m² × 4 m
  • Volumetria total: 600.000 m³ = 0,00060 km³

Quantificação dos equipamentos públicos e institucionais:

Foram considerados cerca de 10 edifícios distribuídos ao longo da implantação e além dos edifícios apenas de uso institucional, os edifícios residenciais podem receber pavimentos térreos que contemplem o uso institucional.

Programa Tipologias-Uso

Volumetrias Arquitetônicas

Implantação do bairro-parque Águas Claras
Escala humana do bairro Águas Claras

Tendo em vista as diretrizes projetuais estabelecidas para o bairro-parque Águas Claras junto às métricas resultantes da análise de comportamento e desempenho, possibilita-se a experimentação volumétrica dos caminhos possíveis para implantação no terreno. Nesse contexto, são determinados alguns parâmetros que irão nortear as projeções:

  • Habitação Coletiva / Multifamiliar: visa uma ocupação mais eficiente no uso do solo, reduzindo a expansão horizontal sobre áreas ambientalmente sensíveis. Essa tipologia favorece a diversidade social, otimiza a infraestrutura urbana e contribui para consolidar uma centralidade compacta, de uso misto e bem servida por transporte coletivo e equipamentos públicos.
  • Edificações de Usos Mistos: contribui para a criação de um bairro mais dinâmico e acessível, reunindo habitação, comércio, serviços e áreas de convivência. Em oposição ao modelo de condomínios fechados, a proposta prioriza a permeabilidade urbana, a conexão com o entorno e a qualificação dos espaços públicos, promovendo uma ocupação mais sustentável, inclusiva e integrada à cidade;
  • Altimetria máxima de 12 metros: o projeto adota tipologias com altura máxima de 12 metros, de forma a preservar a visada para a Serra do Curral que se ergue nos arredores do bairro-parque. A aplicação da altimetria máxima de 12 m está condicionada à implantação de usos mistos na edificação, encorajados a se conectarem com os espaços livres. Na medida em que a edificação se enquadre apenas como residencial, a altimetria pode atingir 12 m, caso adote soluções como pilotis ou áreas de fruição, caso contrário, é limitada a 9 m. A limitação da altura das edificações reduz o impacto visual sobre a paisagem da Serra do Curral e da cava da Mina de Águas Claras, favorecendo uma ocupação compatível com a escala do relevo. Edificações mais baixas demandam menor movimentação de terra em terrenos inclinados, facilitam a adaptação à topografia natural e preservam as visuais da paisagem. Além disso, reforçam a diretriz de baixa verticalização prevista pelo plano.
  • Fachadas Ativas: o uso de fachadas ativas fortalece a relação entre edifício e espaço público, estimulando a permanência, a circulação de pedestres e a segurança urbana pelo uso contínuo das ruas. A incorporação de comércio, serviços e usos comunitários no térreo de algumas edificações contribui para a criação de uma centralidade viva, reduzindo deslocamentos e incentivando a mobilidade ativa.
  • Pilotis: o uso de pilotis permite que o térreo permaneça permeável e integrado aos espaços públicos, reduzindo barreiras físicas e favorecendo a continuidade dos percursos de pedestres. Em terrenos inclinados, possibilitam menor interferência na topografia natural, diminuindo cortes e aterros e preservando a drenagem superficial. Também criam áreas sombreadas de convivência e ampliam a ventilação natural.
  • Áreas de Lazer e Convivência: podem ser implantados playgrounds, academias ao ar livre, mobiliários modulares para encontros e pequenos eventos, mesas comunitárias e espaços de contemplação voltados para a paisagem. Em conjunto com a arborização e infraestrutura verde, esses equipamentos ajudam a criar ambientes mais humanizados e seguros, estimulando o uso coletivo e reforçando a identidade urbana na Mina de Águas Claras como um bairro aberto, ativo e integrado à paisagem natural.
  • Ciclovias: a implantação de ciclovias na rede urbana atende à diretriz de priorização da mobilidade ativa e da redução da dependência do automóvel. A bicicleta, ou meios alternativos compatíveis, torna-se uma forma de locomoção eficiente para conectar locais, equipamentos públicos, o parque, o nó multimodal e as áreas de uso misto, promovendo deslocamentos sustentáveis e melhoria da qualidade ambiental.
  • Passarelas: as passarelas respondem às condicionantes topográficas do terreno, sua implementação visa à criação de conexões acessíveis entre diferentes cotas sem exigir grandes intervenções no relevo. Elas fortalecem a continuidade da rede de mobilidade ativa, conectam áreas verdes, equipamentos urbanos e espaços públicos e permitem maior integração entre arquitetura e paisagem. Seu uso também poderá estar presente na conexão entre edificações, caso assim se mostre conveniente.
  • Sede do Parque: o parque é proposto principalmente ao redor do lago resultante da antiga cava da mineração, acompanhando as áreas que se aproximam do topo da Serra do Curral. A intenção é dispersar equipamentos de uso coletivo associados ao parque, como centro de visitantes, museu, auditório, lanchonetes e apoio ao lazer. Além disso, criação de um parque linear acompanhando o final do platô de implantação do bairro, de modo que contribua como mirante e área de transição à mata não alterada e cercear o espraiamento da ocupação;

Imagens, mapas, croquis e fotos

Materiais produzidos pelo grupo e armazenados no File Browser:

Mapas


Imagens

Referências

  1. CORNER, James (org.). Recovering landscape: essays in contemporary landscape architecture. New York: Princeton Architectural Press, 1999.
  2. CUSTÓDIO, M. M.; RIBEIRO, J. C. J. J. SERRA DO CURRAL: SIGNIFICADOS E IMPORTÂNCIA DE PROTEÇÃO. Veredas do Direito – Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, v. 18, n. 42, 2021.
  3. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Demográfico 2010: resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2011. Disponível em: IBGE – Censo Demográfico 2010. Acesso em: 16 jun. 2026.
  4. WALDHEIM, Charles. Landscape as Urbanism: A General Theory. Princeton: Princeton University Press, 2016.