Novas Centralidades
Parque Pós-Mineração e Novas Centralidades Urbanas
Conceito do plano
O plano se fundamenta em conceitos de planejamento e desenho urbano integrado, adotando estratégias como o Urbanismo da Paisagem e a análise de comportamento e desempenho da cidade, com exemplo do City Calculator©, como norteadores para a proposta. Dessa forma, toma-se partido de uma abordagem de antecipação de cenários e definição de estratégias de maneira propositiva, em contraposição a ações reativas de urbanização.
Urbanismo da Paisagem
O Urbanismo da Paisagem (Landscape Urbanism) trata a paisagem como infraestrutura estruturadora do território. Nesse sentido, os espaços livres e áreas verdes deixam de ser elementos residuais e passam a assumir papel organizador da ocupação urbana, atuando como suporte ambiental, zonas de amortecimento e, sobretudo, como elementos primários de articulação espacial. Mais do que a presença do verde, esse conceito implica a leitura dos sistemas naturais como base para a estruturação do tecido urbano, orientando continuidades, hierarquias e relações entre cheios e vazios. Experiências como Vauban, em Freiburg, e Tianjin Eco-city, na China, evidenciam essa abordagem ao integrar sistemas ambientais, como drenagem, energia e mobilidade, ao desenho urbano, promovendo uma ocupação que articula desempenho ecológico, uso intensivo do espaço e qualidade urbana.
Análise de Comportamento e Desempenho
Essa lógica é aplicada nas propostas para o Grand Paris desenvolvidas pela MVRDV, partindo da análise da infraestrutura existente e da demanda urbana que precede o desenho do território. A abordagem orientada por dados é inspirada no City Calculator©, uma versão demonstrativa proposta de um possível software e ferramenta online, que quantifica o comportamento e o desempenho de uma cidade. O masterplan passa, assim, a ser definido com base em métricas e cenários, garantindo coerência entre ocupação e suporte urbano.
(colocar as fotos e fontes)
Delimitação da área do plano
O setor trabalhado compreende as áreas das minas de Águas Claras e do Taquaril, em uma região marcada pela presença histórica da mineração e pela proximidade com importantes eixos urbanos e ambientais da metrópole. O território é caracterizado por grandes vazios resultantes da atividade mineradora, extensas áreas de encosta e pela presença de conexões estratégicas de mobilidade, especialmente em Águas Claras, onde a futura centralidade de transporte estrutura a proposta urbana.

Objetivos do plano
- Objetivo geral: Propor para as áreas degradadas pela mineração da Mina de Águas Claras e os territórios minerados próximos ao Taquaril, um programa de parques ambientais, centralidades urbanas e núcleo de ocupação controlada, que conciliam a recuperação ecológica, mobilidade sustentável, preservação paisagística e desenvolvimento urbano de uso misto.
- Objetivos específicos:
- Propor estratégias de recuperação ambiental e paisagístico dos territórios degradados;
- Pensar novas centralidades urbanas integradas à mobilidade, fomentando o acesso aos serviços, equipamentos e habitação ali propostos;
- Promover uma ocupação urbana que não ocasione na segregação do espaço, por meio de propostas de fluxos e conectividade com o restante do meio urbano;
- Articular a urbanização e a preservação ambiental, respeitando as condicionantes naturais, interesses de conservação e reduzindo riscos.
Diretrizes do plano
- Implantar um parque ambiental na antiga Mina de Águas Claras;
- Preservar as áreas inalteradas da região, por meio da implantação da malha urbana na antiga estrutura das minas;
- Reforçar uma centralidade urbana na Mina de Águas Claras estabelecida por um nó intermodal proposto;
- Desenvolver uma ocupação urbana de baixa verticalização, que não conflitam com a paisagem e os interesses de conservação ambiental da Serra do Curral;
- Estruturar um novo bairro-parque na região do Taquaril com ocupação controlada e adaptada às condicionantes topográficas e ambientais;
- Evitar processos de segregação urbana, como a formação de condomínios fechados, através de diretrizes e parâmetros urbanos;
Programa Urbanístico-Ambiental-Infraestrutural
- Implantação de bairro residencial no Taquaril com capacidade para aproximadamente 10 mil moradores, priorizando habitações coletivas e ocupações integradas ao espaço urbano.
- Inserção de comércio local e serviços de proximidade junto às áreas residenciais, promovendo usos mistos e maior vitalidade urbana no cotidiano do bairro.
- Desenvolvimento de tipologias habitacionais compatíveis com a paisagem e a topografia, evitando ocupações que descaracterizem o território ou gerem impactos ambientais significativos.
- Definição de zoneamento urbano-ambiental organizando áreas residenciais, comerciais, espaços públicos e áreas de preservação de acordo com as condições ambientais e urbanas do Taquaril.
ESTRUTURA DO ZONEAMENTO PROPOSTO
ZPRM — Zona de Parque e Recuperação Ambiental
Localização:
Área correspondente ao interior da antiga Mina de Águas Claras e setores ambientalmente frágeis associados.
Objetivos:
- Recuperar ecossistemas degradados pela mineração;
- Restabelecer conectividade ecológica;
- Transformar a área em parque ambiental metropolitano;
- Compatibilizar preservação, pesquisa ambiental e ecoturismo controlado.
Diretrizes Urbanístico-Ambientais:
- Proibição de ocupação residencial permanente;
- Recuperação vegetal com espécies nativas;
- Preservação integral de áreas de fundo de vale e drenagens naturais;
- Implantação de trilhas ecológicas, mirantes e equipamentos leves de apoio;
- Requalificação paisagística das cavas mineradas;
- Criação de áreas de educação ambiental e pesquisa científica.
Infraestrutura Verde e Drenagem:
- Bacias de retenção naturalizadas;
- Recuperação de nascentes;
- Sistemas para contenção de erosão;
- Reflorestamento de encostas.
Mobilidade:
- Prioridade absoluta para circulação não motorizada;
- Acesso interno apenas por transporte coletivo de baixa emissão;
- Rede de ciclovias e trilhas interligadas ao parque.
ZGE — Zona de Grandes Equipamentos
Localização:
Extremidade da Mina de Águas Claras, funcionando como portal de acesso ao parque e principal centralidade de mobilidade.
Objetivos:
- Implantar nó multimodal metropolitano;
- Consolidar centralidade cultural e pública;
- Reduzir circulação de automóveis no interior da Serra;
- Funcionar como interface entre cidade, parque e sistemas de transporte.
Usos Permitidos:
- Terminais de ônibus metropolitanos;
- Estações de monotrilho e teleférico;
- Equipamentos culturais;
- Museus;
- Centros de visitantes;
- Auditórios;
- Centros de educação ambiental;
- Comércio de apoio;
Diretrizes Urbanísticas:
- Grandes praças públicas de integração;
- Edificações de baixo impacto ambiental;
- Prioridade para espaços livres e permeáveis;
- Limitação de estacionamentos para carros.
Mobilidade
- Último ponto de acesso para automóveis particulares;
- Integração ônibus + monotrilho + teleférico;
- Distribuição prioritária por modais coletivos.
Infraestrutura Verde e Drenagem:
- Preconização da permeabilidade;
- Arborização intensiva;
- Reuso de água;
- Energia renovável.
ZOCT— Zona de Ocupação Controlada Taquaril
Localização:
Área minerada desativada próxima ao Taquaril.
Objetivos:
- Implantar novo bairro compacto e ambientalmente adaptado;
- Criar centralidade urbana conectada ao parque;
- Promover diversidade funcional e social;
- Evitar expansão baseada em condomínios fechados;
- Integrar urbanização e preservação ambiental.
Diretrizes Urbanísticas:
- Ocupação condicionada ao relevo: Ocupações apenas em áreas já estabilizadas e com menor declividade aliada á preservação de fundos de vale, áreas inundáveis e topos de morro;
- O gabarito deve considerar uma altura máxima de 4 pavimentos e priorizar o escalonamento conforme topografia;
- Devem ser priorizadas habitações multifamiliares de média densidade;
- Uso misto obrigatório em eixos estruturantes com térreos ativos e comerciais. Sendo assim, o bairro deverá comportar: escolas, hospitais, centros de saúde, museus, cinemas, teatros, bibliotecas, centros esportivos e comércio local e serviços;
- O tecido urbano deve possuir equipamentos de uso público distribuídos;
Mobilidade
A mobilidade e integração territorial deve ser hierarquizada de maneira que priorize a mobilidade ativa e o transporte coletivo. Dessa forma, deve-se prever calçadas amplas, existir uma rede cicloviária integrada com o resto da mancha urbana, prever uma conexão direta ao nó multimodal proposto, propor com teleféricos conectando áreas de maior declividade, integrar o novo bairro com transporte metropolitano e, por fim, prever elevadores urbanos quando necessário para garantia da acessibilidade;
Infraestrutura Verde e Drenagem:
- Criação de parques lineares em fundos de vale;
- Arborização urbana intensiva;
- Altas taxas de permeabilidade e priorizar pavimentos drenantes;
Programa Tipologias-Uso
Descrever as propostas de arquiteturas, paisagismo, infraestruturas, equipamentos públicos, mobiliário urbano e usos previstos.
Arquiteturas
- A proposta arquitetônica para o Taquaril busca estabelecer uma relação mais integrada entre ocupação urbana e paisagem natural, adotando tipologias em degraus que acompanham o ritmo da topografia existente. Em vez da implantação de torres verticais isoladas, as edificações se distribuem horizontalmente ao longo das encostas, adaptando-se ao relevo e reduzindo impactos visuais e ambientais. Essa estratégia permite melhor inserção na paisagem, maior aproveitamento da ventilação e iluminação natural, além da criação de terraços, áreas verdes e espaços coletivos integrados à arquitetura
Equipamentos
- Espaços culturais, esportivos, educacionais e de lazer atraem diferentes públicos ao longo do dia, estimulando circulação, convivência e apropriação coletiva do território. A presença desses equipamentos fortalece a vida urbana, cria centralidades locais e amplia o senso de pertencimento dos moradores em relação ao espaço público. Além disso, a distribuição de serviços e equipamentos coletivos reduz a dependência de deslocamentos para outras áreas da cidade e contribui para uma ocupação mais dinâmica e diversa. Ao combinar habitação, comércio local, parques e infraestrutura pública, o bairro passa a funcionar como parte ativa da malha urbana, promovendo integração social e evitando a lógica de segregação frequentemente associada a condomínios fechados. Dessa forma, os equipamentos públicos atuam como elementos estruturadores da urbanidade e da integração territorial.
Mobiliário urbano
- Nas áreas de lazer e convivência, podem ser implantados playgrounds, academias ao ar livre, mobiliários modulares para encontros e pequenos eventos, mesas comunitárias e espaços de contemplação voltados para a paisagem. Em conjunto com arborização e infraestrutura verde, esses equipamentos ajudam a criar ambientes mais humanizados e seguros, estimulando o uso coletivo e reforçando a identidade urbana do Taquaril como um bairro aberto, ativo e integrado à paisagem natural.
Imagens, mapas, croquis e fotos
- http://150.164.107.115/upload/files/06_mapas/pdf/2026-05-25-zoneamento-proposto-para-areas-remanescentes-de-minera%C3%A7%C3%A3o.pdf
- http://150.164.107.115/upload/files/06_mapas/pdf/2026-05-26-mapa-proposta-setor-2.pdf