Rede Metropolitana

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Rede Metropolitana Pós-Carro e Mobilidade sobre Trilhos

Conceito do plano

A proposta dialoga com o pensamento de criar interseções multimodais entre centralidades e periferias, conectando metrôs, teleféricos e monotrilhos. A partir da implantação de uma grande estação entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará, que permita ampliar a conexão rápida entre os municípios e facilitar o deslocamentos de longa distância, como entre Sabará e o BH Shopping.

Delimitação da área do plano

O Setor 3 compreende áreas estratégicas para a implantação de uma rede de mobilidade metropolitana integrada entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará. A delimitação considera os principais eixos de conexão entre centralidades urbanas e áreas periféricas, incluindo corredores de transporte, fundos de vale e áreas próximas a infraestruturas ferroviárias existentes. Possibilitando assim a:

  • Integração entre metrô, monotrilho, teleféricos e linhas férreas reativadas
  • Criação de pontos de interseção multimodal e de uma nova centralidade regional próxima às fronteiras entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará.

Objetivos do plano

  • Objetivo geral: A proposta busca ampliar a acessibilidade, reduzir os tempos de deslocamento e fortalecer as conexões entre áreas periféricas e polos metropolitanos, como o BH Shopping e os municípios vizinhos. Pretende-se expandir o direito à cidade por meio de uma rede de mobilidade integrada, capaz de diminuir a dependência exclusiva do automóvel e das rodovias, promovendo uma lógica urbana mais sustentável e conectada.
  • O plano também propõe uma transição para uma cidade pós-carro, baseada em sistemas de transporte coletivo de média e alta capacidade, integrando metrôs, monotrilhos, teleféricos, trens e conexões intermodais. Além de melhorar a circulação metropolitana, a proposta busca qualificar a experiência cotidiana da população, ampliando o acesso a trabalho, educação, lazer e serviços urbanos, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade de vida e para a modernização do sistema de transporte da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Diretrizes do Plano: Reestruturação Intermunicipal Pós-Carro

  • Diretriz 1: Macroacessibilidade Estruturante nos Eixos fronteiriços ao Fundo de Vale. Estruturar corredores de transporte de média e alta capacidade (monotrilhos e trens) que respeitem a geomorfologia local, conectando o polo consolidado do BH Shopping às cidades vizinhas sem depender do sistema rodoviário saturado. A transformação do Anel Rodoviário em Anel Ferroviário e a inserção de uma linha de trem na base da Serra do Curral servirão como o tronco metropolitano principal de macroacessibilidadeda região, desviando o fluxo que hoje estrangula as rodovias de acesso a Nova Lima e Sabará.
  • Diretriz 2: A Estação e a Ferrovia como Agentes Urbanizadores e "Nó-Lugar". Planejar e implementar todas as estações do sistema de mobilidade sob a perspectiva do modelo "Nó-Lugar". A infraestrutura ferroviária e a própria estação devem atuar ativamente como um agente urbanizador, induzindo o desenvolvimento econômico da região e instigando novos formatos e padrões de ocupação do solo antes não aproveitados [1, 2]. Cada estação deve transcender a função de ser apenas um ponto de acesso e baldeação na rede de transportes, assumindo também a identidade de uma área específica da cidade com concentração de infraestruturas, espaços abertos e dinâmica própria [3]. Toda estação deve ter a competência de equilibrar a oferta de transportes com a demanda gerada pelo uso do solo, conectando-se diretamente aos aspectos e condicionantes do território em questão. Dessa forma, as estações atuarão como minicentralidades em rede, recebendo adensamento misto e espaços públicos que dialoguem com a vizinhança, diluindo a fragmentação territorial sem se restringir a um único centro.
  • Diretriz 3: Mesoacessibilidade Vertical para Vencer a Topografia. Dada a topografia acidentada do território, utilizar teleféricos e sistemas alimentadores de menor capacidade para realizar a "mesoacessibilidade" vertical. O objetivo é conectar as comunidades isoladas nas encostas (como áreas periféricas de Sabará e Nova Lima) diretamente às estações estruturantes localizadas nos fundos de vale, garantindo que bairros segregados pelo relevo tenham acesso rápido à rede ferroviária e de monotrilho.
  • Diretriz 4: Microacessibilidade e os "5Ds" nos Polos Locais. Aplicar os princípios de Desenvolvimento Orientado ao Transporte (TOD) com base nos "5Ds" (Densidade, Diversidade, Desenho urbano, Destino acessível e Disponibilidade de transporte) no raio de caminhada (cerca de 500m) das estações propostas. As estações próximas ao Sport Club Olaria (Nova Lima), Supermercados BH (Raposos) e Vila Marzagão (Sabará) devem ter suas vias redesenhadas para a escala do pedestre, com fachadas ativas no nível térreo, mobiliário acessível e eliminação de barreiras físicas.
  • Diretriz 5: Integração da Mobilidade à Infraestrutura Verde e Azul. Tratar a mobilidade em sinergia com os ecossistemas locais, especialmente o Rio das Velhas e a Serra do Curral. A infraestrutura de transporte deve incorporar soluções baseadas na natureza para mitigar ilhas de calor e inundações sazonais, transformando as áreas de mobilidade em corredores ecológicos contínuos.

Programa Urbanístico-Ambiental-Infraestrutural

Mobilidade

  • Implantação de estações intermodais metropolitanas;
  • Requalificação de infraestruturas ferroviárias existentes;
  • Ampliação da rede de metrô e monotrilho;
  • Implantação de estações de teleférico em áreas de ecoturismo;
  • Criação de terminais integrados de ônibus metropolitanos;
  • Adequação viária para priorização do transporte coletivo;

Ambiente

  • Redução da emissão de poluentes através da diminuição do uso do automóvel;
  • Integração entre infraestrutura ferroviária e corredores eclógicos;

Mobilidade

  • Integração entre metrô, monotrilho, teleférico e ônibus;
  • Criação de pontos de interseção multimodal;
  • Ampliação da conexão entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará;
  • Redução do tempo de deslocamento entre periferias e centralidades;
  • Reativação de linhas férreas para transporte metropolitano;

Drenagem

  • Implantação de pavimentos permeáveis em áreas de estações;
  • Criação de jardins de chuva e sistemas de drenagem sustentável;

Infraestrutura Verde

  • Criação de áreas verdes junto às estações metropolitanas;
  • Integração entre corredores verdes e linhas férreas

Acessibilidade

  • Implantação de percursos acessíveis entre modais;
  • Criação de elevadores urbanos, passarelas e rampas;
  • Garantia de acessibilidade universal nas estações e transportes;

Integração Territorial

  • Criação de uma centralidade metropolitana próxima às fronteiras entre Nova Lima, Raposos e Sabará;;
  • Conexão entre áreas periféricas e polos metropolitanos;
  • Integração física e funcional entre municípios da RMBH;
  • Estruturação de uma lógica de cidade pós-carro baseada em transporte coletivo eficiente.

Programa Tipologias-Uso

Descrever as propostas de arquiteturas, paisagismo, infraestruturas, equipamentos públicos, mobiliário urbano e usos previstos.

Arquiteturas

  • Estações intermodais metropolitanas;
  • Terminais integrados de ônibus, monotrilho e teleférico;
  • Edificações de uso misto associadas às centralidades;
  • Requalificação de infraestruturas ferroviárias existentes;
  • Espaços públicos cobertos integrados às estações.

Paisagismo

  • Corredores ecológicos associados indiretamente a essa sociedade pós-carro;
  • Recuperação paisagística de áreas ferroviárias degradadas;
  • Arborização dos eixos de circulação;
  • Áreas de convivência próximas às estações;
  • Mirantes e espaços públicos conectados aos teleféricos.

Infraestruturas

  • Reativação de linhas férreas metropolitanas;
  • Expansão das linhas de metrô e monotrilho;
  • Implantação de teleféricos urbanos;
  • Implantação de pontos de interseção multimodal;
  • Passarelas, elevadores urbanos e conexões acessíveis;

Equipamentos

  • Estações metropolitanas como centralidades urbanas;
  • Centros de informação e atendimento ao usuário.
  • Áreas comerciais e serviços de apoio ao transporte;

Mobiliário urbano

  • Bancos e áreas de permanência;
  • Iluminação pública eficiente;
  • Bicicletários;
  • Sinalização metropolitana integrada;
  • Painéis digitais de informação de transporte;
  • Guarda-corpos, corrimãos e elementos de acessibilidade.

Imagens, mapas, croquis e fotos

Referências do Caderno de Estudo

  1. SERPA, Ângelo. O espaço público na cidade contemporânea. São Paulo: Contexto, 2007.
  2. PORTUGAL, Licinio da Silva (Org.). Transporte, Mobilidade e Desenvolvimento Urbano. Rede Íbero-Americana de Estudo em Polos Geradores de Viagens, 2017.
  3. BNDES; PREFEITURA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO. Masterplan: Visão de futuro para a região central do Rio de Janeiro (Relatório P6 - Anexo M - Partes 1 e 2). Consórcio Conexão Rio (Finarq, Urban Systems, Ramboll, Porto Marinho, etc.), Dezembro de 2023.
  4. BRANDÃO, Lívia Silva; PANTOJA, João da Costa; MEDEIROS, V. A. S; PAZOS, R. E. V. Desenvolvimento orientado ao transporte (DOT) em uma cidade dispersa: estudo aplicado em Brasília, Distrito Federal. Revista de Gestão e Secretariado (GeSec), São Paulo, SP, v. 15, n. 2, p. 01-17, 2024.
  5. GEHL, Jan. Cities for People. Washington: Island Press, 2010.
  6. CERVERO, Robert. Transforming Cities with Transit. [Apresentação em Vídeo/YouTube].
  7. KRIEGER, Alex; SAUNDERS, William S. (Eds.). Urban Design.
  8. TRANSIT-ORIENTED DEVELOPMENT: DEVELOPING A STRATEGY. Mineta Transportation Institute / San Jose State University.
  9. MEDIAWIKI. MediaWiki User Guide. 2013.