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| '''Estação 2 – Mirante Águas Claras'''
| '''Estação 2 – Mirante Águas Claras'''

Edição das 13h27min de 23 de junho de 2026


Rede Metropolitana Pós-Carro e Mobilidade sobre Trilhos

Conceito do Plano

A proposta fundamenta-se nos princípios do Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável (DOTS), estratégia que visa integrar o planejamento urbano ao de transportes para mitigar a dependência do automóvel particular (Cervero, 1998; EMBARQ Brasil, 2015). O objetivo central é promover a transição de um território fragmentado e disperso, rompendo com o atual modelo urbano "3D" (cidades distantes, dispersas e desconectadas), para a lógica de uma "cidade pós-carro", estruturando um arranjo metropolitano que seja essencialmente "3C": compacto, conectado e coordenado (IDB, 2021). Essa abordagem reconhece que a rua é um espaço social e um recurso público contínuo, devendo priorizar a escala humana, a diversidade de usos e a mobilidade coletiva (Jacobs, 1961; Gehl, 2010).

O eixo estruturante da intervenção baseia-se em prover condições equitativas de mobilidade em diferentes escalas. A nível regional, busca-se garantir a macroacessibilidade, compreendida como a facilidade de atravessar o espaço metropolitano e acessar grandes oportunidades descentralizadas (Vasconcellos, 2001; Kneib e Mello, 2017), conectando rapidamente Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará através de modais de média e alta capacidade (trens e expansão do metrô). Paralelamente, atua-se na mesoacessibilidade, que abrange a ligação funcional entre os bairros periféricos e as centralidades intermunicipais, utilizando sistemas alimentadores adaptáveis, como teleféricos e monotrilhos, para vencer barreiras topográficas e fundos de vale (Zegras, 2005; Mello e Kneib, 2017).

O epicentro dessa profunda integração territorial é a implantação de uma megaestação na tríplice fronteira municipal. Esta infraestrutura é concebida teoricamente sob o modelo "Nó-Lugar", que pressupõe o equilíbrio necessário entre a forte provisão de infraestrutura de uma rede de transporte e a demanda gerada pelo uso do solo adjacente (Bertolini, 1999; Andrade, 2015). Assim, a estação transcende a sua função física de baldeação e conexão ágil de longas distâncias (a função de , como na ligação intermunicipal), passando a atuar simultaneamente como um polo de altíssima vitalidade, concentrando atividades, comércio, serviços e adensamento misto no seu entorno imediato (a função de Lugar).

Ao assumir esse duplo papel, a estação e a ferrovia consolidam-se como agentes urbanizadores ativos, funcionando como um verdadeiro "entre-lugar", um espaço de alteridade, de encontro de diferentes realidades que desconstroem hierarquias e superam o isolamento e a segregação impostos pelos limites geográficos e municipais (Serpa, 2007). Ao equilibrar a provisão de mobilidade de alta capacidade com o desenvolvimento local sustentável, o plano atrai vitalidade urbana "24x7", instiga novos padrões de apropriação do território e democratiza, efetivamente, o direito à cidade (Lefebvre, 1991; Serpa, 2007). ```

Delimitação da área do plano

O Setor 3 compreende áreas estratégicas para a implantação de uma rede de mobilidade metropolitana integrada entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará. A delimitação considera os principais eixos de conexão entre centralidades urbanas e áreas periféricas, incluindo corredores de transporte, fundos de vale e áreas próximas a infraestruturas ferroviárias existentes. Possibilitando assim a:

  • Integração entre metrô, monotrilho, teleféricos e linhas férreas reativadas
  • Criação de pontos de interseção multimodal e de uma nova centralidade regional próxima às fronteiras entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará.

Mapa [1]

Objetivos do plano

  • Objetivo geral: A proposta busca ampliar a acessibilidade, reduzir os tempos de deslocamento e fortalecer as conexões entre áreas periféricas e polos metropolitanos, como o BH Shopping e os municípios vizinhos. Pretende-se expandir o direito à cidade por meio de uma rede de mobilidade integrada, capaz de diminuir a dependência exclusiva do automóvel e das rodovias, promovendo uma lógica urbana mais sustentável e conectada.
  • O plano também propõe uma transição para uma cidade pós-carro, baseada em sistemas de transporte coletivo de média e alta capacidade, integrando metrôs, monotrilhos, teleféricos, trens e conexões intermodais. Além de melhorar a circulação metropolitana, a proposta busca qualificar a experiência cotidiana da população, ampliando o acesso a trabalho, educação, lazer e serviços urbanos, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade de vida e para a modernização do sistema de transporte da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Diretrizes do Plano: Reestruturação Intermunicipal Pós-Carro

  • Diretriz 1: Macroacessibilidade Estruturante nos Eixos fronteiriços ao Fundo de Vale. Estruturar corredores de transporte de média e alta capacidade (monotrilhos e trens) que respeitem a geomorfologia local, conectando o polo consolidado do BH Shopping às cidades vizinhas sem depender do sistema rodoviário saturado. A transformação do Anel Rodoviário em Anel Ferroviário e a inserção de uma linha de trem na base da Serra do Curral servirão como o tronco metropolitano principal de macroacessibilidadeda região, desviando o fluxo que hoje estrangula as rodovias de acesso a Nova Lima e Sabará.
  • Diretriz 2: A Estação e a Ferrovia como Agentes Urbanizadores e "Nó-Lugar". Planejar e implementar todas as estações do sistema de mobilidade sob a perspectiva do modelo "Nó-Lugar". A infraestrutura ferroviária e a própria estação devem atuar ativamente como um agente urbanizador, induzindo o desenvolvimento econômico da região e instigando novos formatos e padrões de ocupação do solo antes não aproveitados [1, 2]. Cada estação deve transcender a função de ser apenas um ponto de acesso e baldeação na rede de transportes, assumindo também a identidade de uma área específica da cidade com concentração de infraestruturas, espaços abertos e dinâmica própria [3]. Toda estação deve ter a competência de equilibrar a oferta de transportes com a demanda gerada pelo uso do solo, conectando-se diretamente aos aspectos e condicionantes do território em questão. Dessa forma, as estações atuarão como minicentralidades em rede, recebendo adensamento misto e espaços públicos que dialoguem com a vizinhança, diluindo a fragmentação territorial sem se restringir a um único centro.
  • Diretriz 3: Mesoacessibilidade Vertical para Vencer a Topografia. Dada a topografia acidentada do território, utilizar teleféricos e sistemas alimentadores de menor capacidade para realizar a "mesoacessibilidade" vertical. O objetivo é conectar as comunidades isoladas nas encostas (como áreas periféricas de Sabará e Nova Lima) diretamente às estações estruturantes localizadas nos fundos de vale, garantindo que bairros segregados pelo relevo tenham acesso rápido à rede ferroviária e de monotrilho.
  • Diretriz 4: Microacessibilidade e os "5Ds" nos Polos Locais. Aplicar os princípios de Desenvolvimento Orientado ao Transporte (TOD) com base nos "5Ds" (Densidade, Diversidade, Desenho urbano, Destino acessível e Disponibilidade de transporte) no raio de caminhada (cerca de 500m) das estações propostas. As estações próximas ao Sport Club Olaria (Nova Lima), Supermercados BH (Raposos) e Vila Marzagão (Sabará) devem ter suas vias redesenhadas para a escala do pedestre, com fachadas ativas no nível térreo, mobiliário acessível e eliminação de barreiras físicas.
  • Diretriz 5: Integração da Mobilidade à Infraestrutura Verde e Azul. Tratar a mobilidade em sinergia com os ecossistemas locais, especialmente o Rio das Velhas e a Serra do Curral. A infraestrutura de transporte deve incorporar soluções baseadas na natureza para mitigar ilhas de calor e inundações sazonais, transformando as áreas de mobilidade em corredores ecológicos contínuos.

Programa Básico Integrado das Estações na Serra do Curral

A proposta adota como principal referência os sistemas metropolitanos que utilizam a ferrovia como um indutor e elemento estruturador do território, transformando as estações em núcleos de desenvolvimento urbano sustentável e não apenas em pontos de embarque. Busca-se superar a visão da infraestrutura apenas como um ponto de acesso à rede, equilibrando-a com a criação de um ambiente de alta vitalidade, adensamento e diversidade de usos em seu entorno imediato. Essa abordagem atua como uma ferramenta para reverter a lógica de metrópoles dispersas e desconectadas, consolidando complexos urbanos compactos, conectados e coordenados.

Nesse contexto, o Programa Básico Integrado das Estações na Serra do Curral estabelece uma matriz programática destinada a orientar a implantação de uma rede articulada de estações ao longo do território. Estruturado a partir de uma estação-modelo, o programa define diretrizes espaciais, funcionais e urbanas que servem como referência para os demais equipamentos, permitindo adaptações às especificidades de cada contexto sem comprometer a unidade e a coerência do sistema.

A flexibilidade do modelo busca assegurar o atendimento simultâneo a diferentes escalas de mobilidade, contemplando tanto a macroacessibilidade, por meio da conexão eficiente entre centralidades metropolitanas, quanto a mesoacessibilidade, ao favorecer a integração com os bairros e os deslocamentos locais de caráter capilar. Complementarmente, as adaptações territoriais incorporam estratégias de infraestrutura verde e azul e outras soluções baseadas na natureza, contribuindo para a manutenção dos serviços ecossistêmicos, a qualificação da paisagem e a preservação dos atributos ambientais da Serra do Curral, reconhecida como um território de elevada relevância ecológica, cultural e paisagística.

Mais do que um conjunto de edificações de transporte, as estações são entendidas como infraestruturas cívicas e metropolitanas, capazes de promover mobilidade, permanência, integração territorial e qualificação do espaço urbano. Para isso, os projetos priorizam a escala humana, adotando percursos seguros para modais ativos e fachadas ativas no nível térreo, o que fomenta a diversidade e a vigilância natural . Ao transcenderem a função utilitária, esses equipamentos deixam de ser cenários monumentais de passagem para abrigarem práticas sociais cotidianas, democratizando o acesso às oportunidades e consolidando uma vivência urbana mais inclusiva e igualitária.

A partir disso foi gerado a proposta de Programa de Mobilidade para as estações:

Tabela-síntese do Programa Básico Obrigatório da Estação Intermodal

Eixo programático Elementos estruturantes Observações e Intencionalidade da Ambiência Imagem
1. Área Pública e Acessos

Praça de Acesso Metropolitana:

  • Praça cívica de integração
  • Áreas de permanência
  • Mobiliário urbano
  • Espaços pluripotentes
  • Áreas de retenção e acomodação de público (cenários de normalidade e anormalidade)

Acessos Principais:

  • Acessos múltiplos
  • Acesso para ciclistas
  • Área de embarque e desembarque
  • Área para aplicativos e táxis
  • Estruturas para receber e orientar o fluxo do público

Mobilidade Ativa:

  • Bicicletário coberto
  • Bicicletário de longa permanência
  • Estação de bicicletas compartilhadas
  • Espaço de apoio

Intencionalidade do Espaço:

Atua como um autêntico palco cívico de acolhimento. Em vez de uma área árida de passagem, a espacialidade é desenhada para convidar à permanência e diluir as barreiras entre a cidade e a estação.

A articulação de elementos paisagísticos em diferentes estratos, cria microclimas confortáveis que mitigam o calor e absorvem a água localmente, compondo uma ambiência de frescor.

Ao priorizar percursos cicloviários e de pedestres de forma franca e nivelada, o espaço consolida a escala humana logo na chegada.

Arquivo:Exemplo.png

Descrição da imagem.

2. Átrio Principal

Recepção e Informação

  • Hall principal (Área não paga)
  • Painéis eletrônicos
  • Centro de informações
  • Totens digitais

Bilhetagem e Controle de Acesso

  • Bilheterias
  • Máquinas de autoatendimento
  • Área de filas
  • Linha de bloqueios / Validação de bilhetes (fronteira entre Área Não Paga e Área Paga)

Permanência

  • Espaços de espera

Dimensionamento sugerido:

  • Átrio principal: 500 a 800 m²
  • 15 bloqueios convencionais
  • 3 bloqueios acessíveis
  • 8 máquinas de autoatendimento
  • 4 bilheterias

Intencionalidade do Espaço:

Funciona como a grande bússola orientadora do complexo. A sua ambiência é projetada para proporcionar uma transição fluida entre o ritmo vibrante da rua e a logística do embarque.

A articulação espacial — com pé-direito generoso, iluminação ampla e ausência de barreiras visuais — garante total legibilidade do espaço. Isso minimiza atritos e estresse nos fluxos de multidões, tornando o ato de comprar bilhetes e acessar os bloqueios uma experiência intuitiva e livre de estrangulamentos.

Arquivo:Exemplo.png

Descrição da imagem.


3. Integração Modal

Setor Metrô

  • Plataformas centrais
  • Salas técnicas
  • Sala de operação

Setor Trem Metropolitano

  • Plataformas laterais
  • Área de espera
  • Salas operacionais

Setor Monotrilho

  • Plataformas elevadas
  • Controle operacional

Integração

  • Corredores de transferência
  • Zonas de organização e distribuição contínua de fluxos modais
  • Escadas rolantes
  • Elevadores
  • Passarelas cobertas

Intencionalidade do Espaço:

É o coração logístico que costura as diferenças de escala da metrópole. A ambiência deve transmitir a sensação de um percurso contínuo, protegido e integrado.

A articulação entre elevadores, passarelas e corredores deve permitir conexões rápidas e curtas entre as linhas de alta capacidade e os modais menores que vencem as encostas, transformando a baldeação em um passeio visualmente estimulante e confortável, sem a sensação de estar em um labirinto confinado.

Arquivo:Exemplo.png

Descrição da imagem.


4. Plataformas

Metrô

  • 2 plataformas
  • Portas de plataforma (PSD)

Trem Metropolitano

  • 2 plataformas
  • Possibilidade de expansão futura

Monotrilho

  • 2 plataformas elevadas

Elementos Comuns

  • Áreas de espera
  • Zonas de separação de fluxos (embarque x desembarque)
  • Sinalização
  • Bancos
  • Piso tátil
  • Proteção climática
  • Faixa de segurança

Intencionalidade do Espaço:

As plataformas devem ser projetadas visando segurança, amplitude e conforto climático.

Sua espacialidade é dimensionada não apenas para a movimentação atual, mas de forma generosa para absorver os futuros adensamentos da vizinhança. O posicionamento do mobiliário, o piso tátil e o contato visual desimpedido com as vias evitam pontos cegos, garantindo uma espera agradável e serena antes do embarque.

Arquivo:Exemplo.png

Descrição da imagem.


5. Apoio ao Usuário

Saúde

  • Sala de primeiros socorros
  • Ambulatório básico

Sanitários (Setorizados na Área Não Paga e Área Paga)

  • Masculino
  • Feminino
  • Familiar
  • PCD

Apoio ao Usuário

  • Fraldário
  • Sala de amamentação
  • Guarda-volumes
  • Achados e perdidos

Intencionalidade do Espaço:

Estabelece uma atmosfera de amparo e dignidade. A alocação desses equipamentos deve ocorrer em pontos de alta visibilidade e fácil intercepção nos trajetos naturais.

A articulação de fraldários, sanitários e salas de saúde reforça a estação como um ambiente cívico e acolhedor, cujo design universal se adapta ativamente para suportar as necessidades de famílias, idosos e pessoas com deficiência.

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Descrição da imagem.


6. Administração e Operação

Operação

  • Centro de Controle Operacional (CCO)
  • Sala de monitoramento
  • Sala de segurança
  • Sala de despachantes

Administração

  • Escritórios
  • Salas de reunião
  • Arquivo

Funcionários

  • Copa
  • Refeitório
  • Vestiários
  • Área de descanso
  • Setores de apoio logístico/limpeza

Intencionalidade do Espaço:

Atua como o sistema nervoso central do complexo. A articulação destas áreas ocorre de forma independente, sem cruzar diretamente o fluxo do público geral.

Sua ambiência interna foca no conforto e no foco da equipe, enquanto a sua inserção estratégica no projeto garante que a vigilância e o monitoramento operem perfeitamente nos bastidores, irradiando para a área pública uma constante sensação de organização e segurança.

Arquivo:Exemplo.png

Descrição da imagem.


7. Áreas Técnicas

Instalações Técnicas

  • Subestação elétrica
  • Sala de baterias
  • Sala de TI
  • Sala de telecomunicações

Infraestrutura Predial

  • Geradores
  • Reservatórios
  • Casa de bombas
  • Central de resíduos

Intencionalidade do Espaço:

Representa o metabolismo da edificação. São ambientes de articulação estrita e técnica, desenhados para não interferir na experiência sensorial do passageiro.

De forma silenciosa, estas infraestruturas dão o suporte necessário para que a estação respire e opere de forma resiliente, acomodando desde os sistemas responsáveis pelo manejo ecológico da água das chuvas até a eficiência energética do complexo intermodal.

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Descrição da imagem.


8. Equipamentos Comerciais

Alimentação

  • Praça de alimentação
  • Cafeterias

Comércio

  • Mercado urbano
  • Farmácia
  • Livraria
  • Lojas de conveniência

Intencionalidade do Espaço:

É a principal âncora de vitalidade e dinamismo. A articulação espacial foca na permeabilidade: ao posicionar cafés e lojas com vitrines amplas diretamente para os fluxos e praças, o limite entre a estação e a calçada se dissolve.

Essa ambiência vibrante convida a cidade a consumir o espaço independentemente do transporte. A presença contínua de pessoas gera vigilância natural e luminosidade, tornando os arredores ativos e seguros do dia até a noite.

Arquivo:Exemplo.png

Descrição da imagem.


9. Equipamentos de Serviços

Serviços Financeiros e Postais

  • Agência bancária
  • Correios

Trabalho e Estudo

  • Coworking
  • Espaços de estudo

Intencionalidade do Espaço:

Transforma a estação em um autêntico polo de destino, capaz de resolver o cotidiano das pessoas no mesmo local.

A disposição de áreas de estudo e coworking aliada aos serviços postais cria bolsões de calmaria e concentração em contraste com a velocidade do transporte. Essa articulação atrai um público diverso, instigando a formação de uma vizinhança autônoma que utiliza o complexo como uma verdadeira extensão do seu local de moradia e trabalho.


Programa Especifico das Estações de Monotrilho na Serra do Curral

Linha de Monotrilho Temática da Serra do Curral

Para além da função de transporte, a linha de monotrilho foi pensada como uma oportunidade de promover novos usos e atividades ao longo da Serra do Curral. Dentre as linhas propostas, foi selecionado um trecho para o desenvolvimento de um programa urbanístico, ambiental e infraestrutural mais detalhado, devido à sua capacidade de conectar Belo Horizonte, Nova Lima e Sabará, além de atravessar áreas de grande relevância paisagística e turística. A partir das características de cada localidade, além do programa básico, foram propostos programas complementares às estações, buscando valorizar as potencialidades existentes e estimular atividades ligadas à cultura, ao turismo, à gastronomia, ao esporte e ao lazer.

Proposta de Programa para as 4 Estações de Monotrilho da Linha da Serra do Curral:

Programa Básico das Estações de Monotrilho na Serra do Curral

Estação Conceito Programa Básico Imagens
Estação 1 – BH Shopping A estação BH Shopping foi pensada como um espaço dedicado à cultura e à convivência urbana. Aproveitando sua localização em uma área de grande circulação, reúne atividades ligadas à arte, à educação e ao entretenimento, criando oportunidades para exposições, apresentações, oficinas e encontros que aproximam as pessoas da produção cultural.
  • Auditório multiuso
  • Galeria para exposições temporárias
  • Salas para oficinas culturais
  • Cinema e espaço audiovisual
  • Praça para eventos e apresentações
  • Cafés e livraria
Linha de Monotrilho Temática da Serra do Curral
Estação 2 – Mirante Águas Claras Implantada em um dos pontos mais privilegiados da Serra do Curral, a estação Mirante Águas Claras tem como foco a relação entre natureza, ciência e contemplação. Seu programa incentiva a observação da paisagem, do céu noturno e dos aspectos ambientais da região, promovendo experiências educativas e de contato com o meio natural.
  • Observatório astronômico
  • Planetário
  • Mirantes
  • Trilhas interpretativas
  • Espaços expositivos sobre geologia e meio ambiente
  • Café panorâmico
Estação 3 – Lobo-Guará A estação Lobo-Guará transforma a gastronomia em um elemento de atração e permanência. Em meio à paisagem da serra, o espaço valoriza a culinária mineira e os produtores locais por meio de mercados, restaurantes e eventos, criando um ambiente que conecta cultura, território e alimentação. Podendo funcionar tanto de manhã quanto de noite.
  • Mercado gastronômico
  • Praça de alimentação
  • Restaurantes
  • Espaço para produtores locais
  • Cozinha experimental
  • Escola de gastronomia
  • Área para festivais gastronômicos
  • Praça de convivência
Estação 4 – Velhas A estação Velhas foi concebida como um espaço voltado ao esporte, à educação e à convivência comunitária, integrado à paisagem da serra. Seu programa reúne atividades culturais, recreativas e de bem-estar,

promovendo oportunidades de aprendizado, lazer e interação social para diferentes públicos e faixas etárias.

  • Biblioteca
  • Teatro
  • Salas para oficinas
  • Espaço expositivo
  • Quadras esportivas
  • Piscina
  • Academia
  • Áreas de convivência
  • Restaurante e cafeteria

Sistema Básico Construtivo Estação BH Shopping

Equipamentos Públicos Integrados

Paisagismo e Infraestrutura Verde-Azul

O projeto paisagístico da estação multimodal é concebido como uma infraestrutura ambiental integrada, capaz de articular mobilidade, biodiversidade, drenagem urbana e conforto bioclimático. A proposta estabelece uma conexão ambiental entre os diferentes espaços da estação por meio da introdução de vegetação nativa da Serra do Curral e dos domínios do Cerrado, organizada em diferentes estratos arbóreos, arbustivos, herbáceos e de forração.

Biodiversidade e Suporte à Fauna

A composição vegetal foi estruturada para garantir a oferta contínua de flores, frutos e sementes ao longo do ano, ampliando a disponibilidade de recursos para a fauna urbana. Dessa forma, o paisagismo passa a desempenhar função ecológica ativa, contribuindo para a manutenção dos processos naturais e para o fortalecimento da conectividade ecológica no território metropolitano.

Distribuição da Vegetação

A vegetação é organizada em conjuntos biodiversos adaptados às diferentes situações da estação:

Espécies representativas utilizadas no projeto paisagístico da estação multimodal.
  • Praças de entrada — espécies ornamentais nativas voltadas à construção de identidade paisagística e qualificação da experiência de chegada (Mulungu, Ipê-amarelo, Ipê-roxo, Angico-vermelho).
  • Áreas de permanência — espécies frutíferas e produtoras de sementes que ampliam o sombreamento e a oferta de recursos para a fauna (Pitangueira, Uvaia, Gabiroba).
  • Áreas de alimentação — espécies floríferas atrativas para polinizadores e capazes de qualificar os espaços de convivência (Caliandra, Quaresmeira, Ipê-rosa, Cambará).
  • Taludes e encostas — espécies nativas com elevada capacidade de fixação dos solos, contribuindo para a estabilização das encostas e redução dos processos erosivos (Capixingui, Pau-jacaré, Aroeira-pimenteira).

Infraestrutura Verde e Gestão das Águas

A diversidade de estratos vegetais desempenha papel fundamental na gestão das águas pluviais. A combinação entre árvores, arbustos, herbáceas e forrações aumenta o atrito superficial, reduz a velocidade do escoamento e favorece a infiltração da água no solo. Como complemento, são previstas valetas vegetadas, dispositivos de desaceleração hídrica e outras soluções baseadas na natureza voltadas ao controle da erosão e à qualificação da drenagem local.

Conforto Bioclimático

O paisagismo responde às condicionantes climáticas da região por meio da utilização de espécies adaptadas ao clima local e da criação de áreas com diferentes níveis de insolação e sombreamento. Espécies caducifólias, como ipês e mulungus, permitem maior incidência solar durante os meses frios e proporcionam sombra durante o verão, contribuindo para a redução das ilhas de calor e para a melhoria do conforto ambiental ao longo de todo o ano.

Descarbonização e Adaptação Climática

A ampliação da cobertura vegetal contribui diretamente para a descarbonização da mobilidade metropolitana. A associação entre transporte coletivo de média e alta capacidade, aumento da permeabilidade do solo, incremento da arborização urbana e fortalecimento da infraestrutura ecológica transforma a estação em um equipamento capaz de integrar mobilidade, adaptação climática e qualificação ambiental em uma única estratégia territorial.


Imagens, mapas, croquis e fotos

Referências do Caderno de Estudo

  1. SERPA, Ângelo. O espaço público na cidade contemporânea. São Paulo: Contexto, 2007.
  2. PORTUGAL, Licinio da Silva (Org.). Transporte, Mobilidade e Desenvolvimento Urbano. Rede Íbero-Americana de Estudo em Polos Geradores de Viagens, 2017.
  3. BNDES; PREFEITURA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO. Masterplan: Visão de futuro para a região central do Rio de Janeiro (Relatório P6 - Anexo M - Partes 1 e 2). Consórcio Conexão Rio (Finarq, Urban Systems, Ramboll, Porto Marinho, etc.), Dezembro de 2023.
  4. BRANDÃO, Lívia Silva; PANTOJA, João da Costa; MEDEIROS, V. A. S; PAZOS, R. E. V. Desenvolvimento orientado ao transporte (DOT) em uma cidade dispersa: estudo aplicado em Brasília, Distrito Federal. Revista de Gestão e Secretariado (GeSec), São Paulo, SP, v. 15, n. 2, p. 01-17, 2024.
  5. GEHL, Jan. Cities for People. Washington: Island Press, 2010.
  6. CERVERO, Robert. Transforming Cities with Transit. [Apresentação em Vídeo/YouTube].
  7. KRIEGER, Alex; SAUNDERS, William S. (Eds.). Urban Design.
  8. TRANSIT-ORIENTED DEVELOPMENT: DEVELOPING A STRATEGY. Mineta Transportation Institute / San Jose State University.
  9. MEDIAWIKI. MediaWiki User Guide. 2013.