Novas Centralidades: mudanças entre as edições

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== Delimitação da área do plano ==
== Delimitação da área do plano ==
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A delimitação do plano no [http://150.164.107.115/upload/files/06_mapas/pdf/2026-06-16-mapa-de-delimita%C3%A7%C3%A3o-setor-2.pdf Setor 2] abrange as áreas remanescentes da Mina de Águas Claras, em uma região marcada pela presença histórica da mineração e pela proximidade com importantes eixos urbanos e ambientais nos limites entre Belo Horizonte e Nova Lima.  
A delimitação do plano no [http://150.164.107.115/upload/files/06_mapas/pdf/2026-06-16-mapa-de-delimita%C3%A7%C3%A3o-setor-2.pdf Setor 2] abrange as áreas remanescentes da Mina de Águas Claras, em uma região marcada pela presença histórica da mineração e pela proximidade com importantes eixos urbanos e ambientais nos limites entre Belo Horizonte e Nova Lima.  



Edição das 13h26min de 19 de junho de 2026


Parque Pós-Mineração e Novas Centralidades Urbanas

Conceito do plano

O plano se fundamenta em uma abordagem integrada entre forma urbana e desempenho territorial, articulando conceitos contemporâneos de planejamento com ferramentas analíticas orientadas por dados. Além disso, parte do entendimento de que o desenho urbano não deve apenas responder a condicionantes existentes, mas antecipar cenários e estruturar o território de maneira propositiva, conciliando ocupação, infraestrutura e meio ambiente. Nesse sentido, o projeto apoia-se em dois eixos conceituais principais: o Urbanismo da Paisagem, como forma espacial, e a análise de comportamento e desempenho urbano, como método de dimensionamento.

Urbanismo da Paisagem

O Urbanismo da Paisagem (Landscape Urbanism) trata a paisagem como infraestrutura estruturadora do território (WALDHEIM, 2016). Essa abordagem emerge como resposta às limitações do urbanismo moderno, no qual os modelos formais e determinados se mostram insuficientes diante da complexidade, instabilidade e escala dos fenômenos urbanos atuais. Em contraposição a uma lógica compositiva baseada em objetos fixos, o Urbanismo da Paisagem introduz uma visão processual, na qual o projeto urbano é concebido como um sistema aberto, dinâmico e adaptativo, capaz de absorver transformações ao longo do tempo. Além disso, é uma crítica à disciplina, frequentemente reduzida a um papel secundário, atuando como suporte cenográfico para ambientes concebidos e instrumentalizados por outras áreas. Essa condição restringe seu potencial crítico e operativo, esvaziando sua capacidade de atuar como agente estruturador do território (CORNER,1999).

Nesse sentido, os espaços livres e áreas verdes deixam de ser elementos residuais e assumem papel organizador da ocupação urbana. Os sistemas naturais, como topografia, drenagem, cobertura vegetal e fluxos ecológicos, orientam a ocupação urbana, definindo limites, hierarquias e relações espaciais. Mais do que a presença do verde, esse conceito implica a leitura dos sistemas naturais como base para a estruturação do tecido urbano, orientando continuidades e articulando a dinâmica entre cheios e vazios. Nesse modelo, a infraestrutura ambiental, como retenção e infiltração de águas pluviais, corredores ecológicos e áreas de amortecimento, é concebida simultaneamente como espaço público e como suporte funcional da cidade.

Experiências que exemplificam a aplicação dos princípios do Urbanismo da Paisagem ao estruturarem o território a partir de processos ecológicos, infraestruturais e do uso urbano de forma dinâmica:

O Downsview Park, em Toronto, no Canadá, é um projeto desenvolvido a partir da transformação de uma antiga área militar e aeroportuária em um parque urbano de grande escala. Concebido a partir de um concurso internacional, por Rem Koolhaas (OMA) em colaboração com James Corner, não foi concebido como um desenho finalizado, mas como um sistema em constante construção. O projeto organiza o território a partir de grandes faixas e sistemas, como áreas de vegetação, infraestruturas e zonas de uso, que não são fixas, mas pensadas para evoluir, se sobrepor e se transformar. A ideia central não é desenhar um parque acabado, mas criar uma estrutura capaz de orientar ocupações futuras.

O Emscher Landscape Park, desenvolvido na região do Ruhr no contexto do IBA Emscher Park, corresponde à requalificação de uma extensa região industrial no vale do Ruhr, na Alemanha. Nele, 117 projetos de planejamento paisagístico e desenvolvimento urbano, abrangendo mais de 800 quilômetros quadrados, foram implementados para a renovação ecológica, econômica e cultural da antiga região industrial. Os projetos da IBA foram agrupados em seis temas centrais: trabalho no parque, novas construções e modernização de conjuntos habitacionais, renovação ecológica do sistema Emscher, promoção do desenvolvimento urbano e estímulos sociais para o desenvolvimento urbano, bem como o estabelecimento de uma estrutura de parque regional. Essas intervenções foram realizadas de forma integrada e distribuída no território, constituindo um sistema regional que articula infraestrutura, ecologia e uso urbano como base para a transformação da paisagem pós-industrial.

Análise de Comportamento e Desempenho

Essa lógica é aplicada nas propostas para o Grand Paris desenvolvidas pela MVRDV, partindo da análise da infraestrutura existente e da demanda urbana que precede o desenho do território. A abordagem orientada por dados é inspirada no City Calculator©, uma versão demonstrativa proposta de um possível software e ferramenta online, que quantifica o comportamento e o desempenho de uma cidade. O masterplan passa, assim, a ser definido com base em métricas e cenários, garantindo coerência entre ocupação e suporte urbano.

(colocar as fotos e fontes)

Delimitação da área do plano

A delimitação do plano no Setor 2 abrange as áreas remanescentes da Mina de Águas Claras, em uma região marcada pela presença histórica da mineração e pela proximidade com importantes eixos urbanos e ambientais nos limites entre Belo Horizonte e Nova Lima.

A Mina de Águas Claras, operada pela antiga MBR (Minerações Brasileiras Reunidas), estendeu-se da década de 1970 até se exaurir em 2006, sendo uma das principais áreas de extração de minério de ferro na região. Desde então, a área encontra-se em processo vinculado ao Plano de Fechamento de Mina, sob diretrizes patrimoniais e ambientais, incluindo a atuação do IEPHA-MG. Esse processo, porém, não se restringe à recuperação técnica do sítio, mas envolve disputas e reflexões mais amplas sobre a destinação do território.

A Serra do Curral, onde se insere a mina, apresenta uma condição única: ao mesmo tempo em que constitui um ativo econômico historicamente explorado pela riqueza mineral, também é um ativo ambiental importante pela vegetação, animais e nascentes (CUSTÓDIO; RIBEIRO, 2021). Nesse sentido, a atividade minerária, ao longo de décadas, foi responsável por profundas transformações na vertente sul da serra, reconfigurando sua morfologia, hidrologia e dinâmicas ambientais.

Como resultado desse processo, o território apresenta, atualmente, extensos vazios gerados pelas áreas degradadas, caracterizadas por grandes taludes, platôs artificiais e encostas. Apesar de marcados pela degradação, esses espaços revelam um potencial estratégico para requalificação territorial, dada sua proximidade com áreas urbanizadas, como os bairros Belvedere e Vila da Serra, além de sua inserção em uma zona de transição entre o tecido urbano consolidado e importantes áreas de preservação ambiental. Tal conexão territorial é estabelecida pelos arredores do topo da Serra do Curral com unidades de conservação relevantes, como o Parque da Serra do Curral e o Parque das Mangabeiras. Sendo assim, a atuação do Setor 2 deriva da potencialidade de articulação entre sistemas ecológicos e urbanos, podendo atuar como um corredor ambiental e paisagístico, ao mesmo tempo em que se apresenta como espaço de mediação local entre processos de preservação e pressões de urbanização.

Objetivos do plano

  • Objetivo geral: Promover uma requalificação para as áreas degradadas pela mineração da Mina de Águas Claras, por meio da proposição de um programa integrado de parque e novas centralidades urbanas que conciliem a recuperação ecológica, a mobilidade inter-regional, a preservação paisagística e um desenvolvimento urbano de uso misto.
  • Objetivos específicos:
    • Propor uma nova centralidade urbana na área de platô Mina de Águas Claras, que seja estruturada por usos mistos, incluindo habitação, serviços e equipamentos urbanos;
    • Propor um parque nas áreas de entorno da cava da Mina de Águas Claras;
    • Integrar a nova centralidade urbana ao nó multimodal e ao novo parque no entorno da cava;
    • Promover a integração territorial entre a nova ocupação, o tecido urbano existente e o novo parque proposto;
    • Priorizar uma mobilidade nessas novas centralidades com transporte coletivo e transporte ativo;
    • Prever estratégias de recuperação ambiental e paisagísticas para o parque e a nova centralidade na Mina de Águas Claras;
    • Articular na Mina de Águas Claras a urbanização e a recuperação ambiental, respeitando as condicionantes naturais, interesses de conservação e reduzindo impactos paisagísticos e ambientais.

Diretrizes do plano

  • Utilizar a antiga estrutura territorial da mina de Águas Claras como suporte para a implantação da nova malha urbana e de um parque;
  • Consolidar a Mina de Águas Claras como uma nova centralidade articulada a um nó multimodal;
  • Promover um modelo urbano de uso misto com predominância habitacional associado a serviços, equipamentos públicos e espaços de permanência;
  • Priorizar soluções urbanas que incentivem o transporte coletivo, os deslocamentos ativos e a redução do uso do automóvel;
  • Concentrar as ocupações em áreas estabilizadas de menor sensibilidade ambiental;
  • Preservar as áreas inundáveis, os topos de morro e eixos de drenagem natural como infraestruturas ecológicas nos limites do território;
  • Desenvolver uma ocupação de baixa verticalização integrada à topografia e à paisagem da Serra do Curral;
  • Distribuir equipamentos públicos e centralidades de bairro de forma uniforme;
  • Estimular a diversidade social e funcional por meio da não implantação de condomínios fechados e da priorização de espaços públicos acessíveis;
  • Garantir a conectividade entre áreas verdes e espaços livres, de forma a compor a paisagem urbana

Programa Urbanístico-Ambiental-Infraestrutural

  1. Implantação de bairro residencial na Mina de Águas Claras com capacidade para aproximadamente 10 mil moradores, priorizando habitações coletivas e ocupações integradas ao espaço urbano.
  2. Inserção de comércio local e serviços de proximidade junto às áreas residenciais, promovendo usos mistos e maior vitalidade urbana no cotidiano do bairro.
  3. Desenvolvimento de tipologias habitacionais integradas à paisagem local, promovendo formas de ocupação que preservem as características do território e minimizem impactos ambientais, articulando de maneira equilibrada os usos residenciais e de lazer.
  4. Definição de zoneamento urbano-ambiental organizando áreas residenciais, comerciais, espaços públicos e áreas de preservação de acordo com as condições ambientais e urbanas da Mina de Águas Claras

Análise de Comportamento - Bairro- parque Águas Claras

Para estimar a infraestrutura do Bairro-parque Águas Claras, selecionamos um bairro de Belo Horizonte para usar seus dados de área total, população e densidade como parâmetros para estimar a volumetria necessária para o novo bairro proposto. O bairro escolhido foi o bairro Belvedere que fica na divisa com Nova Lima (Vila da Serra), próximo ao BH Shopping. A partir da análise dos padrões de comportamento urbano e desempenho territorial no bairro Belvedere, estabelece-se, de forma sintética, um conjunto de parâmetros orientadores para a formulação do programa urbanístico do novo bairro Águas Claras. Essa abordagem permite transpor referências consolidadas para um novo contexto, ajustando-as às especificidades locais e às diretrizes projetuais adotadas. Foram considerados como parâmetro os seguintes dados do bairro Belvedere (IBGE, 2010):

  • Área total: aproximadamente 2,87 km² (287 ha)
  • População prevista: aproximadamente 7.800 habitantes
  • Densidade populacional: aproximadamente 2.680 hab/km²

Uso Residencial

  • População atendida: 7.800 habitantes
  • Índice volumétrico adotado: 150 m³/habitante
  • Altimetria máxima: 9 metros
  • Referência construtiva: pavimentos com pé-direito médio de 3 metros

Área residencial total:

  • 7.800 habitantes × 150 m³/habitante ÷ 9 m (habitações coletivas de 3 pavimentos)
  • Mancha de ocupação residencial: 130.000 m²

Volumetria residencial total:

  • 7.800 habitantes × 150 m³/habitante
  • Volumetria total: 1.170.000 m³ = 0,00117 km³

Uso Comercial e de Serviços

  • Área construída: 440.000 m²
  • Referência construtiva: 4 metros por pavimento

Volumetria comercial total:

  • 440.000 m² × 4 m
  • Volumetria total: 1.760.000 m³ = 0,00176 km³

Equipamentos Públicos e Institucionais

  • Área construída: 150.000 m²
  • Referência construtiva: 4 metros por pavimento

Volumetria institucional total:

  • 150.000 m² × 4 m
  • Volumetria total: 600.000 m³ = 0,00060 km³

Programa Tipologias-Uso

Arquiteturas

  • A proposta arquitetônica para a Mina de Águas Claras busca promover uma ocupação urbana integrada à paisagem natural, respeitando a topografia e as características ambientais do local. O projeto adota tipologias multifamiliares com altura máxima de 12 metros, reduzindo intervenções no relevo e valorizando a relação entre arquitetura e natureza. A implantação de usos mistos contribui para a criação de um bairro mais dinâmico e acessível, reunindo habitação, comércio, serviços e áreas de convivência. Em oposição ao modelo de condomínios fechados, a proposta prioriza a permeabilidade urbana, a conexão com o entorno e a qualificação dos espaços públicos, promovendo uma ocupação mais sustentável, inclusiva e integrada à cidade;
  • O parque é proposto principalmente ao redor do lago resultante da antiga cava da mineração acompanhando as áreas que se aproximam do topo da Serra do Curral. A intenção é dispersar equipamento de uso coletivo associados ao parque, como centro de visitantes, museu, auditório, lanchonetes e apoio ao lazer. Além disso, criação de um parque linear acompanhando o final do platô de implantação do bairro, de modo que contribua como mirante e área de transição a mata não alterada e cercear o espraiamento da ocupação;
  • Nas áreas de lazer e convivência, podem ser implantados playgrounds, academias ao ar livre, mobiliários modulares para encontros e pequenos eventos, mesas comunitárias e espaços de contemplação voltados para a paisagem. Em conjunto com arborização e infraestrutura verde, esses equipamentos ajudam a criar ambientes mais humanizados e seguros, estimulando o uso coletivo e reforçando a identidade urbana na Mina de Águas Claras como um bairro aberto, ativo e integrado à paisagem natural.
  • Altimetria máx: 9m e
  • Habitação coletiva: skskksks
  • Fachada ativa: skskskks, mas nem sksk
  • Pilotis
  • Ciclovia
  • Passarela
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Imagens, mapas, croquis e fotos

Materiais produzidos pelo grupo e armazenados no File Browser:

Mapas


Imagens

Referências

  1. CORNER, James (org.). Recovering landscape: essays in contemporary landscape architecture. New York: Princeton Architectural Press, 1999.
  2. CUSTÓDIO, M. M.; RIBEIRO, J. C. J. J. SERRA DO CURRAL: SIGNIFICADOS E IMPORTÂNCIA DE PROTEÇÃO. Veredas do Direito – Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, v. 18, n. 42, 2021.
  3. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Demográfico 2010: resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2011. Disponível em: IBGE – Censo Demográfico 2010. Acesso em: 16 jun. 2026.
  4. WALDHEIM, Charles. Landscape as Urbanism: A General Theory. Princeton: Princeton University Press, 2016.