Permanência Social: mudanças entre as edições

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= Permanência Social, Urbanização de Encostas e Direito à Cidade =
''Autores: Vinicius Alexandre Silva Dias, Vinicius Oliveira Dias Urpia, Mariana Versiani Vilas Boas de Paula''
 
Palavras-chave: [[Permanência social]]; [[Mobilidade alternativa]]; [[Acesso à cidade]]; [[Centralidade]]; [[Integração]]; [[Conectividade]]; [[Mobilidade urbana]]; [[Planejamento urbano]]; [[Planejamento territorial]]; [[Desenvolvimento urbano sustentável]]
 


== Conceito do plano ==
== Conceito do plano ==
Propõ-se um modelo de urbanização baseado na permanência das populações já consolidadas nos assentamentos populares, entendendo a favela e os aglomerados urbanos como partes integrantes da cidade. O plano busca conciliar urbanização social, recuperação ambiental e integração territorial, priorizando intervenções de baixo impacto social, redução de áreas de risco e ampliação da infraestrutura urbana.
Historicamente, os modelos de urbanização das metrópoles brasileiras resultaram na expulsão das populações de baixa renda para as periferias da mancha urbana. Essas populações formaram grandes aglomerados de habitações irregulares, muitas vezes sem acesso adequado à infraestrutura básica de saneamento, energia e mobilidade em relação aos centros urbanos, ocupando terrenos pouco visados pelo mercado imobiliário de Belo Horizonte, caracterizados por grandes declividades e suscetíveis a deslizamentos e alagamentos.<ref>SOUZA, Giovanna de. '''Deslizamentos deixam moradores em risco em bairros de BH'''. ''Estado de Minas'', Belo Horizonte, 23 jan. 2026. Disponível em: Estado de Minas. Acesso em: 30 jun. 2026. </ref>


A proposta parte da leitura das encostas ocupadas da região sul e leste de Belo Horizonte, reconhecendo as dificuldades geradas pela topografia, pela fragmentação territorial e pela precariedade de infraestrutura. Em vez de promover remoções extensivas, o plano adota estratégias de adaptação urbana, conectividade entre morros, recuperação ambiental dos fundos de vale e ampliação da acessibilidade.
As tentativas posteriores de promover melhores condições de vida para essas populações frequentemente se basearam em planos que removiam moradores de suas casas e promoviam a demolição de favelas para a implantação de conjuntos habitacionais que, muitas vezes, não atendiam efetivamente às necessidades da população. Tratavam-se de propostas formuladas de cima para baixo, que ignoravam tanto as características do território quanto os centros já consolidados pelas comunidades locais, as quais desenvolveram, ao longo do tempo, formas de ocupação adaptadas a um território complexo. Essas estratégias de ocupação se mostraram frequentemente mais eficientes do que os modelos urbanísticos centrados no automóvel adotados pelas grandes metrópoles.<ref>OLIVEIRA, Fernando Henrique Ferreira de; SILVA, César Augusto Marques da. '''Entre becos e escadarias: mobilidade, território e envelhecimento em favelas brasileiras'''. ''Cadernos Metrópole'', São Paulo, v. 28, n. 66, maio/ago. 2026. DOI: <nowiki>https://doi.org/10.1590/2236-9996.2026-6672159-pt</nowiki>. Disponível em: <nowiki>https://www.scielo.br/j/cm/a/bzJTrTQ5zv3CgVnKFXmg3hy/</nowiki>. Acesso em: 30 jun. 2026.</ref>


O conceito central do setor é transformar as áreas de encosta em territórios resilientes, conectados e ambientalmente estruturados, utilizando infraestrutura verde, mobilidade não motorizada e sistemas de integração territorial como instrumentos de inclusão urbana e direito à cidade.
Propõe-se, então, um modelo de urbanização que parta da análise de comunidades já consolidadas, buscando oferecer de forma pontual a infraestrutura necessária para garantir o direito à cidade das populações locais, promovendo segurança, qualidade de vida e permanência social, sem desconsiderar as estruturas e dinâmicas já estabelecidas no território, bem como a expansão dessas comunidades. Em síntese, a proposta engloba dois grandes conceitos do urbanismo: O direito à cidade, criado por Henry Lefebvre e atualizado por David Harvey, e a Permanência Social, conceito bastante desenvolvido na literatura urbana brasileira por Ermínia Maricato e Raquel Rolnik. Segue abaixo uma definição síntese de ambos conceitos.
 
==== O direito à cidade ====
O direito à cidade<ref>LEFEBVRE, Henri. '''O direito à cidade'''. Tradução de Rubens Eduardo Frias. 5. ed. São Paulo: Centauro, 2008.</ref> compreende o princípio de que todos os cidadãos devem ter acesso equitativo aos benefícios proporcionados pelo espaço urbano, incluindo moradia digna, infraestrutura, mobilidade, serviços públicos, equipamentos coletivos e oportunidades de desenvolvimento social e econômico. Mais do que o simples acesso à cidade, esse conceito pressupõe o direito coletivo<ref>HARVEY, David. '''Cidades rebeldes: do direito à cidade à revolução urbana'''. Tradução de Jeferson Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2014.</ref> de participar da produção, da gestão e da transformação do espaço urbano, garantindo que seu desenvolvimento atenda às necessidades da população e promova justiça socioespacial.<ref>BRASIL. '''Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001'''. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 11 jul. 2001.</ref> Sob essa perspectiva, a cidade é entendida como um bem coletivo, cuja organização deve priorizar a inclusão, a permanência das comunidades em seus territórios e a função social da propriedade e da própria cidade.<ref>ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. '''Nova Agenda Urbana'''. Quito: ONU-Habitat, 2016. Tradução para o português: ONU-Habitat Brasil, 2020.</ref>
 
===== Permanência social =====
A permanência social consiste no princípio de que as intervenções urbanas devem priorizar a manutenção das populações em seus territórios de origem, promovendo melhorias nas condições de moradia, infraestrutura, mobilidade e acesso aos serviços urbanos sem provocar deslocamentos involuntários ou processos de exclusão socioespacial. Sob essa perspectiva, o desenvolvimento urbano deve reconhecer os vínculos sociais, culturais e econômicos estabelecidos pelas comunidades ao longo do tempo, valorizando a ocupação consolidada e evitando que as transformações do espaço resultem na substituição da população residente.<ref>MARICATO, Ermínia. '''O impasse da política urbana no Brasil'''. Petrópolis: Vozes, 2011.</ref> Assim, a permanência social constitui uma estratégia de promoção da inclusão urbana, da redução das desigualdades e da efetivação do direito à cidade, conciliando a qualificação do ambiente construído com a preservação das relações comunitárias e da identidade local.<ref>ROLNIK, Raquel. '''Guerra dos lugares: a colonização da terra e da moradia na era das finanças'''. São Paulo: Boitempo, 2015.</ref>


== Delimitação da área do plano ==
== Delimitação da área do plano ==
O Setor 5 abrange áreas de assentamentos populares e ocupações em encostas localizadas principalmente na região do Aglomerado da Serra, Conjunto Taquaril, Vila Cabo do Mundo e Vila Olhos d’Água, incluindo também áreas de expansão urbana informal e zonas de reassentamento próximas de Carvalho de Brito. A delimitação considera:
O [http://150.164.107.115/upload/api/public/dl/oAxkD4iC?inline=true Setor 5] abrange áreas de assentamentos populares e ocupações localizadas principalmente na região do Aglomerado da Serra, Conjunto Taquaril e Vila Acaba Mundo, incluindo também áreas de expansão urbana informal e zonas de expansão próximas à Carvalho de Brito, Sabará.


* áreas consolidadas de ocupação popular;
[[Arquivo:mapa-geral-setor-5.png|frame|none|link=http://150.164.107.115/upload/files/06_mapas/pdf/2026-05-24-mapa-proposta-setor-5.pdf|Mapa Geral do Setor 5. Download do PDF.]]
* encostas com presença de risco geotécnico;
* fundos de vale e cursos d’água urbanos;
* áreas de fragilidade ambiental;
* zonas de conexão entre morros e bairros formais;
* áreas potenciais para reassentamento pontual e expansão habitacional controlada.


== Objetivos do plano ==
== Objetivos do plano ==
* Objetivo geral: Promover a permanência social e a integração urbana dos assentamentos populares por meio da urbanização de encostas, da recuperação ambiental e da ampliação da infraestrutura urbana, garantindo segurança territorial, mobilidade e direito à cidade.
* Objetivo geral: Promover a '''melhoria das condições de vida urbana''' das populações residentes nas comunidades.


* Objetivos específicos:  
* Objetivos específicos:  
** Reduzir situações de risco geotécnico e ambiental nas encostas ocupadas;
** Reduzir '''situações de risco''' geotécnico, hidrológico e ambiental nas áreas de encosta ocupadas;
** Minimizar remoções forçadas, priorizando reassentamentos apenas em áreas críticas;
** Recuperar, proteger e integrar cursos d’água e '''áreas ambientalmente sensíveis''' à dinâmica urbana local;
** Ampliar o acesso à infraestrutura urbana básica;
** Melhorar a '''mobilidade interna''' das comunidades;
** Recuperar e proteger cursos d’água e áreas de preservação ambiental;
** Ampliar a conectividade entre as '''comunidades e as centralidades da metrópole''';
** Melhorar a mobilidade entre morros e assentamentos;
** Fortalecer a '''permanência das populações''' no território;
** Criar conexões físicas e sociais entre áreas periféricas e a cidade formal;
** Incentivar a '''vida comunitária''' e a '''apropriação dos espaços públicos''' coletivos;
** Implantar soluções de mobilidade adaptadas à topografia;
** Ampliar o acesso à '''infraestrutura urbana e aos serviços essenciais''';
** Incentivar sistemas agroecológicos e infraestrutura verde;
** Orientar '''o crescimento e a ocupação futura''' do território por meio de novos modelos urbanísticos.
** Fortalecer a permanência das comunidades no território;
** Promover acessibilidade urbana em áreas de alta declividade.


== Diretrizes do plano ==
== Diretrizes do plano ==
* Diretriz 1: Priorizar a permanência das populações já estabelecidas no território;
* Diretriz 1: Priorizar a permanência das '''populações já estabelecidas''' no território;
* Diretriz 2: Adotar intervenções urbanas de baixo impacto social;
* Diretriz 2: Proteger '''cursos d'água e fundos de vale;'''
* Diretriz 3: Integrar urbanização e recuperação ambiental;
* Diretriz 3: Aproveitar infraestrutura de '''mobilidade interna''' já construída;
* Diretriz 4 : Proteger cursos d’água e fundos de vale;
* Diretriz 4: Promover soluções de '''mobilidade alternativas''' ao automóvel;
* Diretriz 5: Incentivar mobilidade ativa e transporte coletivo integrado;
* Diretriz 5: Criar '''centralidades aglutinadoras''' de convivência e serviços essenciais;
* Diretriz 6: Utilizar infraestrutura verde como elemento estruturador do território;
* Diretriz 6: Fornecer '''infraestrutura básica''' de saneamento, energia e informação;  
* Diretriz 7: Estimular ocupações compatíveis com a capacidade ambiental do terreno;
* Diretriz 7: Promover '''novas ocupações''' baseadas na realidade topográfica do território;
* Diretriz 8: Criar espaços públicos de convivência e integração comunitária;
* Diretriz 8: Promover '''integração das vilas com o ecoturismo.'''
* Diretriz 9: Valorizar soluções construtivas adaptadas à topografia;
* Diretriz 10: Promover conectividade entre morros, bairros e centralidades urbanas;
* Diretriz 11: Implantar sistemas de drenagem urbana sustentáveis.


== Programa Urbanístico-Ambiental-Infraestrutural ==
== Comunidades consolidadas ==
'''<big>Infraestrutura urbana:</big>'''
'''<big>Aglomerado da Serra e Conjunto Taquaril</big>'''


* Implantação e ampliação de redes de abastecimento de água;
A proposta para o Aglomerado da Serra e o Conjunto Taquaril estrutura-se a partir de dois eixos principais: a ampliação da '''conectividade territorial''' e a recuperação ambiental dos '''fundos de vale ocupados'''.
* Regularização e ampliação da rede de esgotamento sanitário;
* Melhoria da iluminação pública;
* Pavimentação de vias prioritárias;
* Criação de percursos acessíveis para pedestres;
* Implantação de contenções geotécnicas em áreas críticas;
* Regularização fundiária e adequação urbana de assentamentos consolidados.


'''<big>Ambiente</big>'''
No campo da mobilidade, propõe-se a implantação de uma rede de '''sete estações de teleférico''' integradas ao sistema de mobilidade previsto para os demais setores do plano. O sistema conecta o ponto mais elevado do Aglomerado da Serra às áreas mais consolidadas do Conjunto Taquaril, estendendo-se até as proximidades da Avenida do Contorno. A proposta busca reduzir o isolamento territorial das comunidades, ampliar a acessibilidade aos centros urbanos e fortalecer as conexões entre diferentes áreas atualmente segregadas pela topografia.


* Recuperação de áreas degradadas;
As estações são implantadas em pontos já consolidados da estrutura urbana local, próximos a equipamentos públicos e áreas de referência comunitária. Além de sua função de transporte, cada estação atua como '''núcleo de centralidade''', concentrando serviços e espaços de uso coletivo, como unidades de saúde, equipamentos educacionais, áreas de convivência, espaços para atividades físicas e serviços de apoio à população. A estratégia busca fortalecer a vida comunitária e ampliar o acesso a equipamentos urbanos essenciais.
* Proteção de nascentes e cursos d’água;
* Recomposição de mata ciliar;
* Implantação de sistemas agroflorestais comunitários;
* Criação de corredores ecológicos nos fundos de vale;


* Redução de ocupações em áreas ambientalmente frágeis.
'''Estações propostas:'''


'''<big>Mobilidade</big>'''
* Estação Juscelino Kubitscheck
* Estação Nova Alvorada
* Estação das Castanheiras
* Estação Alaíde Lisboa
* Estação Aglomerado da Serra
* Estação do Cafezal
* Estação Maria das Neves


* Implantação de passarelas entre morros e assentamentos;
No campo ambiental, a proposta concentra-se na recuperação dos fundos de vale e na proteção dos cursos d'água e nascentes atualmente pressionados pela ocupação irregular. Para isso, prevê-se a implantação de corredores de proteção ambiental ao longo dos fundos de vale, estruturados por um passeio público contínuo destinado à circulação de pedestres e ao acesso aos espaços recuperados.
* Criação de caminhos de pedestres e ciclovias locais;
* Integração com transporte público metropolitano;
* Implantação de sistema de teleféricos urbanos;
* Requalificação de escadarias e percursos inclinados;
* Criação de rotas acessíveis para circulação cotidiana.


'''<big>Drenagem</big>'''
Associadas a esse passeio, são previstas '''faixas de amortecimento''' compostas por áreas de agricultura urbana e sistemas agroflorestais, seguidas por áreas de vegetação nativa destinadas à proteção dos recursos hídricos. Essa configuração busca reduzir processos erosivos, melhorar a drenagem urbana, recuperar funções ambientais e criar espaços produtivos para as comunidades locais.


* Implantação de sistemas de drenagem sustentáve;
Com o objetivo de superar as barreiras impostas pela topografia e pelos próprios fundos de vale, propõe-se a implantação de '''passarelas''' para pedestres conectadas à rede existente de escadarias, rampas e caminhos já consolidados pelas comunidades. Complementarmente, prevê-se a requalificação dessa infraestrutura de circulação, ampliando a acessibilidade e a integração interna dos assentamentos.
* Criação de jardins de chuva em cotas baixas;
* Controle de erosão em encostas;
* Canalização pontual apenas onde necessária;
* Recuperação da drenagem natural dos cursos d’água;
* Redução do escoamento superficial.  


'''<big>Infraestrutura Verde</big>'''
Nas situações em que forem identificadas ocupações localizadas em áreas de risco geológico elevado e sem possibilidade técnica de mitigação, prevê-se a realocação das famílias para novas áreas de assentamento planejadas dentro da própria região, preservando vínculos territoriais e comunitários sempre que possível.


* Implantação de parques lineares acessíveis, ou não, em fundos de vale;
Por fim, a proposta contempla a '''ampliação e qualificação da infraestrutura urbana''', incluindo sistemas de saneamento básico, drenagem, abastecimento de água, energia elétrica, iluminação pública e conectividade digital, contribuindo para a melhoria das condições de vida e para a permanência segura das populações no território.
* Criação de cinturões vegetados de proteção hídrica;
* Integração entre áreas verdes e espaços públicos;
* Fomento a agricultura urbana e agroflorestas já existentes;
* Uso de vegetação como contenção natural de encostas.


'''<big>Acessibilidade</big>'''
[[Arquivo:mapa-taquaril.png|frame|none|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/06_mapas/pdf/2026-06-30-mapa-setor-5-taquaril.pdf|Mapa do Taquaril e da área de expansão.]]


* Integração entre teleféricos, passarelas e circulação local;
[[Arquivo:area-de-amortecimento.jpeg|frame|none|link=| Área de amortecimento para os cursos d'água.]]
* Melhoria da iluminação e segurança dos percursos;
* Prioridade para deslocamentos de pedestres.  


'''<big>Integração Territorial</big>'''
[[Arquivo:estacao-jk.png|frame|none|link=| Vista das passarelas e da Estação JK no Taquaril.]]


* Conexão física entre diferentes morros;
'''<big>Vila Acaba Mundo</big>'''
* Integração dos assentamentos à malha urbana formal;
* Criação de eixos de circulação comunitária;
* Ampliação do acesso a equipamentos públicos;


* Integração entre infraestrutura ambiental e mobilidade.
A proposta para a Vila Acaba Mundo busca alinhar '''recuperação ambiental''' e '''adequação das condições de habitação''' à população local.


== Programa Tipologias-Uso ==
Apesar de o princípio inicial do projeto ser evitar remoções, as moradias localizadas nos arredores do córrego Acaba Mundo e sua área de inundação serão realocadas tanto para recuperar o curso d’água, que, atualmente, sofre com a contaminação das nascentes e o descarte irregular de resíduos sólidos, quanto para aumentar a segurança dos próprios moradores em relação a alagamentos. No local, será proposto um '''pequeno parque linear''' que funcionará como área de drenagem natural, proteção do córrego e de suas nascentes e área de lazer e conexão para a população da vila.


=== Programa Tipologias-Uso. ===
Para minimizar impactos do reassentamento, as '''novas habitações''' são construídas dentro da própria comunidade, respeitando a topografia existente e acompanhando o relevo por meio de '''implantação em níveis'''. Tal solução evita grandes movimentações de terra, preserva as características locais e mantém vínculos sociais e culturais dos moradores.
 
Além disso, a proposta também promove '''conexão com o ecoturismo''' através da Rua Correias, que será requalificada, até a estação de teleférico na Praça da Caridade. Para vencer a topografia da vila até essa rua, serão utilizados '''elevadores tipo bondinho''', adaptados à encosta.
 
[[Arquivo:mapa-acaba-mundo.png|frame|none|link=http://150.164.107.115/upload/api/public/dl/vW9nZDye?inline=true | Download do PDF. Parque Linear do Acaba Mundo.]]
[[Arquivo:parque-linear-acaba-mundo.png|frame|none|link=http://150.164.107.115/upload/api/public/dl/UQB_ez16?inline=true | Download do PDF. Parque Linear do Acaba Mundo.]]
[[Arquivo:intervenções.png|frame|none|link=http://150.164.107.115/upload/api/public/dl/v0haF-XF?inline=true | Download do PDF. Intervenções Urbanas.]]
 
== Área de expansão ==
 
=== Carvalho de Brito ===
==== Arquiteturas ====
==== Arquiteturas ====
O programa estabelece três principais tipologias, que podem possuir dimensões flexíveis entre 45m² e 65m², com tipologias de 1, 2 e 3 quartos, adaptáveis a diferentes composições familiares, considerando a média regional de 3 a 4 moradores por unidade, projetando atendimento para aproximadamente 7.000 moradores (cerca de 2.000 famílias).
O programa estabelece três principais tipologias, que podem possuir dimensões flexíveis entre 45m² e 65m², com tipologias de 1, 2 e 3 quartos, adaptáveis a diferentes composições familiares, considerando a média regional de 3 a 4 moradores por unidade, projetando atendimento para aproximadamente 7.000 moradores (cerca de 2.000 famílias).
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* '''A 2ª''' são unidades habitacionais em volumes fragmentados em lâminas paralelas às curvas de nível. As construções incorporam pilotis estruturais nas áreas de maior declividade, permitindo o escoamento natural da água, reduzindo empuxos sobre contenções e criando espaços sombreados de convivência, iluminação natural, evitando o bloqueio da circulação natural dos ventos.  
* '''A 2ª''' são unidades habitacionais em volumes fragmentados em lâminas paralelas às curvas de nível. As construções incorporam pilotis estruturais nas áreas de maior declividade, permitindo o escoamento natural da água, reduzindo empuxos sobre contenções e criando espaços sombreados de convivência, iluminação natural, evitando o bloqueio da circulação natural dos ventos.  
* '''A 3ª''' equipamentos públicos nas centralidades junto a praças públicas vinculadas às estações de teleférico, configurando espaços de encontro e contemplação da paisagem metropolitana. Nos fundos de vale parques lineares, articulando drenagem, recuperação ambiental e espaços públicos de convivência.  
* '''A 3ª''' equipamentos públicos nas centralidades junto a praças públicas vinculadas às estações de teleférico, configurando espaços de encontro e contemplação da paisagem metropolitana. Nos fundos de vale parques lineares, articulando drenagem, recuperação ambiental e espaços públicos de convivência.  
[[Arquivo:tipologia-1-e-2.jpeg|frame|none|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/07_imagens/ia_geradas/tipologia1-2-setor%205.jpeg. | Tipologias 1 e 2 da área de expansão.]]
[[Arquivo:tipologia-3.jpeg|frame|none|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/07_imagens/ia_geradas/tipologia3-fundosdevale-setor5.jpeg | Tipologia 3 nos fundos de vale.]]
[[Arquivo:centralidades.jpeg|frame|none|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/07_imagens/ia_geradas/centralidades-setor%205.jpeg | Novas centralidades.]]


==== Equipamentos ====
==== Equipamentos ====
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==== Usos previstos ====
==== Usos previstos ====
A proposta adota a lógica do térreo ativo, com comércio e serviços locais implantados nos blocos voltados para vias estruturantes e praças das estações.  Padarias, pequenos mercados, oficinas, serviços comunitários e espaços de produção local fortalecem a economia de proximidade.
A proposta adota a lógica do térreo ativo, com comércio e serviços locais implantados nos blocos voltados para vias estruturantes e praças das estações.  Padarias, pequenos mercados, oficinas, serviços comunitários e espaços de produção local fortalecem a economia de proximidade.
A experiência espacial proposta articula habitação, mobilidade, produção e infraestrutura ecológica: o morador desembarca na Estação Novo Alvorada, acessa uma praça-mirante onde se localizam creche e posto de saúde, desloca-se por passarelas elevadas conectadas diretamente aos pavimentos residenciais e, no nível térreo, encontra hortas comunitárias, comércio local e áreas drenantes integradas aos parques lineares. A água da chuva percorre livremente os pilotis, é absorvida por jardins de chuva e conduzida de forma controlada aos fundos de vale, consolidando uma infraestrutura ambientalmente integrada ao cotidiano urbano.
== Imagens, mapas, croquis e fotos ==
Materiais produzidos pelo grupo e armazenados no File Browser:
'''Mapas'''
* [http://150.164.107.115/upload/api/public/dl/oAxkD4iC?inline=true Mapa da área do plano]
* [http://150.164.107.115/upload/api/public/dl/5KpYvyF0?inline=true Mapa Conjunto Taquaril]
* [http://150.164.107.115/upload/files/06_mapas/png/2026-05-26-acaba-mundo-proposta-inicial-s5-v01.png Mapa Acaba Mundo]
'''Imagens'''
* [http://150.164.107.115/upload/api/public/dl/ofFSLr6c?inline=true Passarelas Conjunto Taquaril]
* [http://150.164.107.115/upload/api/public/dl/oL-aYsyd?inline=true Diagrama de proteção dos fundos de vale]


== Referências ==
== Referências ==
 
<references />
[[Categoria:URB608-E]]
[[Categoria:URB608-E]]
[[Categoria:Vinicius Alexandre Silva Dias]]
[[Categoria:Vinicius Oliveira Dias Urpia]]
[[Categoria:Mariana Versiani Vilas Boas de Paula]]
[[Categoria:Permanência social]]
[[Categoria:Direito à cidade]]
[[Categoria:Urbanização de assentamentos precários]]
[[Categoria:Mobilidade urbana]]
[[Categoria:Aglomerado da Serra]]

Edição atual tal como às 11h51min de 3 de julho de 2026

Autores: Vinicius Alexandre Silva Dias, Vinicius Oliveira Dias Urpia, Mariana Versiani Vilas Boas de Paula

Palavras-chave: Permanência social; Mobilidade alternativa; Acesso à cidade; Centralidade; Integração; Conectividade; Mobilidade urbana; Planejamento urbano; Planejamento territorial; Desenvolvimento urbano sustentável


Conceito do plano

Historicamente, os modelos de urbanização das metrópoles brasileiras resultaram na expulsão das populações de baixa renda para as periferias da mancha urbana. Essas populações formaram grandes aglomerados de habitações irregulares, muitas vezes sem acesso adequado à infraestrutura básica de saneamento, energia e mobilidade em relação aos centros urbanos, ocupando terrenos pouco visados pelo mercado imobiliário de Belo Horizonte, caracterizados por grandes declividades e suscetíveis a deslizamentos e alagamentos.[1]

As tentativas posteriores de promover melhores condições de vida para essas populações frequentemente se basearam em planos que removiam moradores de suas casas e promoviam a demolição de favelas para a implantação de conjuntos habitacionais que, muitas vezes, não atendiam efetivamente às necessidades da população. Tratavam-se de propostas formuladas de cima para baixo, que ignoravam tanto as características do território quanto os centros já consolidados pelas comunidades locais, as quais desenvolveram, ao longo do tempo, formas de ocupação adaptadas a um território complexo. Essas estratégias de ocupação se mostraram frequentemente mais eficientes do que os modelos urbanísticos centrados no automóvel adotados pelas grandes metrópoles.[2]

Propõe-se, então, um modelo de urbanização que parta da análise de comunidades já consolidadas, buscando oferecer de forma pontual a infraestrutura necessária para garantir o direito à cidade das populações locais, promovendo segurança, qualidade de vida e permanência social, sem desconsiderar as estruturas e dinâmicas já estabelecidas no território, bem como a expansão dessas comunidades. Em síntese, a proposta engloba dois grandes conceitos do urbanismo: O direito à cidade, criado por Henry Lefebvre e atualizado por David Harvey, e a Permanência Social, conceito bastante desenvolvido na literatura urbana brasileira por Ermínia Maricato e Raquel Rolnik. Segue abaixo uma definição síntese de ambos conceitos.

O direito à cidade

O direito à cidade[3] compreende o princípio de que todos os cidadãos devem ter acesso equitativo aos benefícios proporcionados pelo espaço urbano, incluindo moradia digna, infraestrutura, mobilidade, serviços públicos, equipamentos coletivos e oportunidades de desenvolvimento social e econômico. Mais do que o simples acesso à cidade, esse conceito pressupõe o direito coletivo[4] de participar da produção, da gestão e da transformação do espaço urbano, garantindo que seu desenvolvimento atenda às necessidades da população e promova justiça socioespacial.[5] Sob essa perspectiva, a cidade é entendida como um bem coletivo, cuja organização deve priorizar a inclusão, a permanência das comunidades em seus territórios e a função social da propriedade e da própria cidade.[6]

Permanência social

A permanência social consiste no princípio de que as intervenções urbanas devem priorizar a manutenção das populações em seus territórios de origem, promovendo melhorias nas condições de moradia, infraestrutura, mobilidade e acesso aos serviços urbanos sem provocar deslocamentos involuntários ou processos de exclusão socioespacial. Sob essa perspectiva, o desenvolvimento urbano deve reconhecer os vínculos sociais, culturais e econômicos estabelecidos pelas comunidades ao longo do tempo, valorizando a ocupação consolidada e evitando que as transformações do espaço resultem na substituição da população residente.[7] Assim, a permanência social constitui uma estratégia de promoção da inclusão urbana, da redução das desigualdades e da efetivação do direito à cidade, conciliando a qualificação do ambiente construído com a preservação das relações comunitárias e da identidade local.[8]

Delimitação da área do plano

O Setor 5 abrange áreas de assentamentos populares e ocupações localizadas principalmente na região do Aglomerado da Serra, Conjunto Taquaril e Vila Acaba Mundo, incluindo também áreas de expansão urbana informal e zonas de expansão próximas à Carvalho de Brito, Sabará.

Mapa Geral do Setor 5. Download do PDF.

Objetivos do plano

  • Objetivo geral: Promover a melhoria das condições de vida urbana das populações residentes nas comunidades.
  • Objetivos específicos:
    • Reduzir situações de risco geotécnico, hidrológico e ambiental nas áreas de encosta ocupadas;
    • Recuperar, proteger e integrar cursos d’água e áreas ambientalmente sensíveis à dinâmica urbana local;
    • Melhorar a mobilidade interna das comunidades;
    • Ampliar a conectividade entre as comunidades e as centralidades da metrópole;
    • Fortalecer a permanência das populações no território;
    • Incentivar a vida comunitária e a apropriação dos espaços públicos coletivos;
    • Ampliar o acesso à infraestrutura urbana e aos serviços essenciais;
    • Orientar o crescimento e a ocupação futura do território por meio de novos modelos urbanísticos.

Diretrizes do plano

  • Diretriz 1: Priorizar a permanência das populações já estabelecidas no território;
  • Diretriz 2: Proteger cursos d'água e fundos de vale;
  • Diretriz 3: Aproveitar infraestrutura de mobilidade interna já construída;
  • Diretriz 4: Promover soluções de mobilidade alternativas ao automóvel;
  • Diretriz 5: Criar centralidades aglutinadoras de convivência e serviços essenciais;
  • Diretriz 6: Fornecer infraestrutura básica de saneamento, energia e informação;
  • Diretriz 7: Promover novas ocupações baseadas na realidade topográfica do território;
  • Diretriz 8: Promover integração das vilas com o ecoturismo.

Comunidades consolidadas

Aglomerado da Serra e Conjunto Taquaril

A proposta para o Aglomerado da Serra e o Conjunto Taquaril estrutura-se a partir de dois eixos principais: a ampliação da conectividade territorial e a recuperação ambiental dos fundos de vale ocupados.

No campo da mobilidade, propõe-se a implantação de uma rede de sete estações de teleférico integradas ao sistema de mobilidade previsto para os demais setores do plano. O sistema conecta o ponto mais elevado do Aglomerado da Serra às áreas mais consolidadas do Conjunto Taquaril, estendendo-se até as proximidades da Avenida do Contorno. A proposta busca reduzir o isolamento territorial das comunidades, ampliar a acessibilidade aos centros urbanos e fortalecer as conexões entre diferentes áreas atualmente segregadas pela topografia.

As estações são implantadas em pontos já consolidados da estrutura urbana local, próximos a equipamentos públicos e áreas de referência comunitária. Além de sua função de transporte, cada estação atua como núcleo de centralidade, concentrando serviços e espaços de uso coletivo, como unidades de saúde, equipamentos educacionais, áreas de convivência, espaços para atividades físicas e serviços de apoio à população. A estratégia busca fortalecer a vida comunitária e ampliar o acesso a equipamentos urbanos essenciais.

Estações propostas:

  • Estação Juscelino Kubitscheck
  • Estação Nova Alvorada
  • Estação das Castanheiras
  • Estação Alaíde Lisboa
  • Estação Aglomerado da Serra
  • Estação do Cafezal
  • Estação Maria das Neves

No campo ambiental, a proposta concentra-se na recuperação dos fundos de vale e na proteção dos cursos d'água e nascentes atualmente pressionados pela ocupação irregular. Para isso, prevê-se a implantação de corredores de proteção ambiental ao longo dos fundos de vale, estruturados por um passeio público contínuo destinado à circulação de pedestres e ao acesso aos espaços recuperados.

Associadas a esse passeio, são previstas faixas de amortecimento compostas por áreas de agricultura urbana e sistemas agroflorestais, seguidas por áreas de vegetação nativa destinadas à proteção dos recursos hídricos. Essa configuração busca reduzir processos erosivos, melhorar a drenagem urbana, recuperar funções ambientais e criar espaços produtivos para as comunidades locais.

Com o objetivo de superar as barreiras impostas pela topografia e pelos próprios fundos de vale, propõe-se a implantação de passarelas para pedestres conectadas à rede existente de escadarias, rampas e caminhos já consolidados pelas comunidades. Complementarmente, prevê-se a requalificação dessa infraestrutura de circulação, ampliando a acessibilidade e a integração interna dos assentamentos.

Nas situações em que forem identificadas ocupações localizadas em áreas de risco geológico elevado e sem possibilidade técnica de mitigação, prevê-se a realocação das famílias para novas áreas de assentamento planejadas dentro da própria região, preservando vínculos territoriais e comunitários sempre que possível.

Por fim, a proposta contempla a ampliação e qualificação da infraestrutura urbana, incluindo sistemas de saneamento básico, drenagem, abastecimento de água, energia elétrica, iluminação pública e conectividade digital, contribuindo para a melhoria das condições de vida e para a permanência segura das populações no território.

Mapa do Taquaril e da área de expansão.
Área de amortecimento para os cursos d'água.
Vista das passarelas e da Estação JK no Taquaril.

Vila Acaba Mundo

A proposta para a Vila Acaba Mundo busca alinhar recuperação ambiental e adequação das condições de habitação à população local.

Apesar de o princípio inicial do projeto ser evitar remoções, as moradias localizadas nos arredores do córrego Acaba Mundo e sua área de inundação serão realocadas tanto para recuperar o curso d’água, que, atualmente, sofre com a contaminação das nascentes e o descarte irregular de resíduos sólidos, quanto para aumentar a segurança dos próprios moradores em relação a alagamentos. No local, será proposto um pequeno parque linear que funcionará como área de drenagem natural, proteção do córrego e de suas nascentes e área de lazer e conexão para a população da vila.

Para minimizar impactos do reassentamento, as novas habitações são construídas dentro da própria comunidade, respeitando a topografia existente e acompanhando o relevo por meio de implantação em níveis. Tal solução evita grandes movimentações de terra, preserva as características locais e mantém vínculos sociais e culturais dos moradores.

Além disso, a proposta também promove conexão com o ecoturismo através da Rua Correias, que será requalificada, até a estação de teleférico na Praça da Caridade. Para vencer a topografia da vila até essa rua, serão utilizados elevadores tipo bondinho, adaptados à encosta.

Download do PDF. Parque Linear do Acaba Mundo.
Download do PDF. Parque Linear do Acaba Mundo.
Download do PDF. Intervenções Urbanas.

Área de expansão

Carvalho de Brito

Arquiteturas

O programa estabelece três principais tipologias, que podem possuir dimensões flexíveis entre 45m² e 65m², com tipologias de 1, 2 e 3 quartos, adaptáveis a diferentes composições familiares, considerando a média regional de 3 a 4 moradores por unidade, projetando atendimento para aproximadamente 7.000 moradores (cerca de 2.000 famílias).

  • A 1ª são unidades habitacionais adaptadas à topografia, concebidas em forma escalonada e em patamares, acompanhando as curvas de nível para evitar grandes movimentações de terra, cortes excessivos e aterros massivos
  • A 2ª são unidades habitacionais em volumes fragmentados em lâminas paralelas às curvas de nível. As construções incorporam pilotis estruturais nas áreas de maior declividade, permitindo o escoamento natural da água, reduzindo empuxos sobre contenções e criando espaços sombreados de convivência, iluminação natural, evitando o bloqueio da circulação natural dos ventos.
  • A 3ª equipamentos públicos nas centralidades junto a praças públicas vinculadas às estações de teleférico, configurando espaços de encontro e contemplação da paisagem metropolitana. Nos fundos de vale parques lineares, articulando drenagem, recuperação ambiental e espaços públicos de convivência.
Tipologias 1 e 2 da área de expansão.
Tipologia 3 nos fundos de vale.
Novas centralidades.

Equipamentos

Incluem-se centros comunitários, espaços culturais, equipamentos esportivos de bairro, áreas de apoio à agricultura urbana, pontos de assistência social, pequenos equipamentos de saúde e educação local e as próprias estações de teleférico como equipamentos públicos integradores. Os equipamentos públicos são incorporados aos blocos habitacionais em grupamentos satélites, priorizando acessibilidade e proximidade cotidiana:

  • UBS e pontos de apoio social junto às estações;
  • Creches e centros comunitários integrados aos pavimentos inferiores próximos às passarelas;
  • Galpões de apoio à agricultura urbana, destinados a armazenamento, compostagem e feiras locais, implantados junto aos fundos de vale.

Infraestruturas

As redes de saneamento são integradas à topografia, associadas a sistemas de drenagem verde e retenção hídrica. Passarelas elevadas, escadarias urbanizadas e conectores horizontais estruturam a mobilidade entre cotas. As contenções priorizam soluções vegetadas e bioengenharia, minimizando impermeabilização. O sistema de teleférico urbano constitui eixo estruturador da mobilidade, articulado a estações de integração territorial e acessibilidade universal. Os edifícios funcionam como pontes e degraus na paisagem, promovendo continuidade entre Taquaril e Sabará por meio de conexões físicas diretas entre estações, passarelas e pavimentos habitacionais.

Usos previstos

A proposta adota a lógica do térreo ativo, com comércio e serviços locais implantados nos blocos voltados para vias estruturantes e praças das estações. Padarias, pequenos mercados, oficinas, serviços comunitários e espaços de produção local fortalecem a economia de proximidade.

Referências

  1. SOUZA, Giovanna de. Deslizamentos deixam moradores em risco em bairros de BH. Estado de Minas, Belo Horizonte, 23 jan. 2026. Disponível em: Estado de Minas. Acesso em: 30 jun. 2026.
  2. OLIVEIRA, Fernando Henrique Ferreira de; SILVA, César Augusto Marques da. Entre becos e escadarias: mobilidade, território e envelhecimento em favelas brasileiras. Cadernos Metrópole, São Paulo, v. 28, n. 66, maio/ago. 2026. DOI: https://doi.org/10.1590/2236-9996.2026-6672159-pt. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cm/a/bzJTrTQ5zv3CgVnKFXmg3hy/. Acesso em: 30 jun. 2026.
  3. LEFEBVRE, Henri. O direito à cidade. Tradução de Rubens Eduardo Frias. 5. ed. São Paulo: Centauro, 2008.
  4. HARVEY, David. Cidades rebeldes: do direito à cidade à revolução urbana. Tradução de Jeferson Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2014.
  5. BRASIL. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 11 jul. 2001.
  6. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Nova Agenda Urbana. Quito: ONU-Habitat, 2016. Tradução para o português: ONU-Habitat Brasil, 2020.
  7. MARICATO, Ermínia. O impasse da política urbana no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2011.
  8. ROLNIK, Raquel. Guerra dos lugares: a colonização da terra e da moradia na era das finanças. São Paulo: Boitempo, 2015.