Rede Metropolitana: mudanças entre as edições
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''Autores: Augusto Teixeira Soares, Lucas Barbosa Prudente, Kayke Iury de Oliveira Sousa e Sofia Figueiredo Januario Silva'' | |||
Palavras-chave: [[Mobilidade metropolitana]]; [[Integração multimodal]]; [[Transporte sobre trilhos]]; [[Transporte de alta capacidade]]; [[Sistema de teleféricos]]; [[Mobilidade]]; [[Planejamento territorial]]; [[Centralidade]]; [[Conectividade]]; [[Desenvolvimento urbano sustentável]]; | |||
= Rede Metropolitana Pós-Carro e Mobilidade sobre Trilhos = | = Rede Metropolitana Pós-Carro e Mobilidade sobre Trilhos = | ||
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== Delimitação da área do plano == | == Delimitação da área do plano == | ||
[[File:2026-06-23 mapa de transporte metropolitano.png|thumb|link=http://150.164.107.115/urb608/images/c/ca/2026-06-23_mapa_de_transporte_metropolitano.png|Mapa de Transporte Metropolitano|379x379px|direita]] | |||
O Setor 3 compreende áreas estratégicas para a implantação de uma rede de mobilidade metropolitana integrada entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará. A delimitação considera os principais eixos de conexão entre centralidades urbanas e áreas periféricas, incluindo corredores de transporte, fundos de vale e áreas próximas a infraestruturas ferroviárias existentes. Possibilitando assim a: | O Setor 3 compreende áreas estratégicas para a implantação de uma rede de mobilidade metropolitana integrada entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará. A delimitação considera os principais eixos de conexão entre centralidades urbanas e áreas periféricas, incluindo corredores de transporte, fundos de vale e áreas próximas a infraestruturas ferroviárias existentes. Possibilitando assim a: | ||
* Integração entre metrô, monotrilho, teleféricos e linhas férreas reativadas | * Integração entre metrô, monotrilho, teleféricos e linhas férreas reativadas | ||
* Criação de pontos de interseção multimodal e de uma nova centralidade regional próxima às fronteiras entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará. | * Criação de pontos de interseção multimodal e de uma nova centralidade regional próxima às fronteiras entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará. | ||
== Objetivos do plano == | == Objetivos do plano == | ||
* | '''Objetivo Geral:''' Promover a transição para uma '''cidade pós-carro''', estruturando um recorte metropolitano integrado e capaz de ampliar a acessibilidade, reduzir os tempos de deslocamento e fortalecer as conexões entre áreas periféricas e centralidades consolidadas. A proposta busca expandir o acesso a oportunidades de trabalho, educação, lazer e serviços por meio de uma mobilidade coletiva mais eficiente, equitativa e sustentável. | ||
'''Objetivos Específicos:''' | |||
* '''Consolidar uma rede multimodal integrada:''' articular sistemas de média e alta capacidade com modos alimentadores e percursos qualificados para pedestres e ciclistas, favorecendo deslocamentos mais acessíveis e confortáveis em diferentes escalas. | |||
* '''Transformar as estações em centralidades urbanas:''' estimular a diversidade de usos, a vitalidade cotidiana e a aproximação entre moradia, trabalho, comércio, serviços e espaços de convivência, fortalecendo a autonomia local e a vida urbana. | |||
* '''Associar mobilidade e qualificação ambiental:''' incorporar infraestrutura verde e soluções baseadas na natureza capazes de melhorar o conforto bioclimático, contribuir para a drenagem urbana e reforçar a adaptação climática do território. | |||
* '''Promover maior equidade territorial:''' superar barreiras impostas pela topografia e pela fragmentação metropolitana, ampliando o acesso da população às oportunidades urbanas e fortalecendo as conexões entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará. | |||
== Diretrizes do Plano: Reestruturação Intermunicipal Pós-Carro == | == Diretrizes do Plano: Reestruturação Intermunicipal Pós-Carro == | ||
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* '''Diretriz 5: Integração da Mobilidade à Infraestrutura Verde e Azul.''' Tratar a mobilidade em sinergia com os ecossistemas locais, especialmente o Rio das Velhas e a Serra do Curral. A infraestrutura de transporte deve incorporar soluções baseadas na natureza para mitigar ilhas de calor e inundações sazonais, transformando as áreas de mobilidade em corredores ecológicos contínuos. | * '''Diretriz 5: Integração da Mobilidade à Infraestrutura Verde e Azul.''' Tratar a mobilidade em sinergia com os ecossistemas locais, especialmente o Rio das Velhas e a Serra do Curral. A infraestrutura de transporte deve incorporar soluções baseadas na natureza para mitigar ilhas de calor e inundações sazonais, transformando as áreas de mobilidade em corredores ecológicos contínuos. | ||
== Diagrama Esquemático da Rede Metropolitana sobre Trilhos == | |||
[[File:Diagrama_de_estações.png|thumb|link=http://150.164.107.115/urb608/images/c/c0/Diagrama_de_estações.png|Diagrama de estações|379x379px|direita]] | |||
A consolidação da lógica "'''3C"''' (compacto, conectado e coordenado) proposta no Conceito do Plano depende da legibilidade do sistema de transporte como um todo. Para isso, foi desenvolvido um diagrama esquemático no formato de mapa de rede, reunindo as nove camadas de mobilidade sobre trilhos identificadas no território: Metrô, Linhas 1, 2 e 3, Monotrilho, VLT, Trem de carga/passageiros, Trem de passageiros e Linhas de teleférico. Mais do que uma representação geográfica fiel, o diagrama prioriza a topologia das conexões: a forma como cada modal se articula com os demais, evidenciando os pontos de transferência que materializam o modelo "'''Nó-Lugar"''' discutido nas Diretrizes do Plano. As estações em destaque (Calafate, Lagoinha, Sta. Teresa, Vila Mazagão, Parque, Lobo-Guará, Velhas e BH Shopping) correspondem aos nós de integração intermodal que estruturam a macro e a mesoacessibilidade da região, servindo como referência espacial para o Programa Básico Integrado das Estações detalhado a seguir. | |||
== Programa Básico Integrado das Estações na Serra do Curral == | == Programa Básico Integrado das Estações na Serra do Curral == | ||
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Mais do que um conjunto de edificações de transporte, as estações são entendidas como infraestruturas cívicas e metropolitanas, capazes de promover mobilidade, permanência, integração territorial e qualificação do espaço urbano. Para isso, os projetos priorizam a escala humana, adotando percursos seguros para modais ativos e fachadas ativas no nível térreo, o que fomenta a diversidade e a vigilância natural . Ao transcenderem a função utilitária, esses equipamentos deixam de ser cenários monumentais de passagem para abrigarem práticas sociais cotidianas, democratizando o acesso às oportunidades e consolidando uma vivência urbana mais inclusiva e igualitária. | Mais do que um conjunto de edificações de transporte, as estações são entendidas como infraestruturas cívicas e metropolitanas, capazes de promover mobilidade, permanência, integração territorial e qualificação do espaço urbano. Para isso, os projetos priorizam a escala humana, adotando percursos seguros para modais ativos e fachadas ativas no nível térreo, o que fomenta a diversidade e a vigilância natural . Ao transcenderem a função utilitária, esses equipamentos deixam de ser cenários monumentais de passagem para abrigarem práticas sociais cotidianas, democratizando o acesso às oportunidades e consolidando uma vivência urbana mais inclusiva e igualitária. | ||
== | A partir disso foi gerado a proposta de Programa de Mobilidade para as estações: | ||
= Tabela-síntese do Programa Básico Obrigatório da Estação Intermodal = | |||
{| class="wikitable" style="width: 100%;" | |||
! width="20%" | Eixo programático | |||
! width="25%" | Elementos estruturantes | |||
! width="30%" | Observações e Intencionalidade da Ambiência | |||
! width="30%" | Imagem | |||
|- valign="top" | |||
| '''1. Área Pública e Acessos''' | |||
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'''Praça de Acesso Metropolitana:''' | |||
* Praça cívica de integração | |||
* Áreas de permanência | |||
* Mobiliário urbano | |||
* Espaços pluripotentes | |||
* Áreas de retenção e acomodação de público (cenários de normalidade e anormalidade) | |||
'''Acessos Principais:''' | |||
* Acessos múltiplos | |||
* Acesso para ciclistas | |||
* Área de embarque e desembarque | |||
* Área para aplicativos e táxis | |||
* Estruturas para receber e orientar o fluxo do público | |||
'''Mobilidade Ativa:''' | |||
* Bicicletário coberto | |||
* Bicicletário de longa permanência | |||
* Estação de bicicletas compartilhadas | |||
* Espaço de apoio | |||
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'''Intencionalidade do Espaço:''' | |||
Atua como um autêntico '''palco cívico de acolhimento'''. Em vez de uma área árida de passagem, a espacialidade é desenhada para convidar à permanência e diluir as barreiras entre a cidade e a estação. | |||
A articulação de elementos paisagísticos em diferentes estratos, cria microclimas confortáveis que mitigam o calor e absorvem a água localmente, compondo uma '''ambiência de frescor'''. | |||
Ao priorizar percursos cicloviários e de pedestres de forma franca e nivelada, o espaço consolida a '''escala humana''' logo na chegada. | |||
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[[File:Estação Dom pedroII 800px.png|thumb|left|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/07_imagens/imagens-da-internet/2026-06-23-Estação_Dom_Pedro_II.png.png]] | |||
''Projeto Estação Dom Pedro II, UNA BV, São Paulo'' | |||
|- valign="top" | |||
| '''2. Átrio Principal''' | |||
| | |||
'''Recepção e Informação''' | |||
* Hall principal (Área não paga) | |||
* Painéis eletrônicos | |||
* Centro de informações | |||
* Totens digitais | |||
'''Bilhetagem e Controle de Acesso''' | |||
* Bilheterias | |||
* Máquinas de autoatendimento | |||
* Área de filas | |||
* Linha de bloqueios / Validação de bilhetes (fronteira entre Área Não Paga e Área Paga) | |||
'''Permanência''' | |||
* Espaços de espera | |||
'''Dimensionamento sugerido:''' | |||
* Átrio principal: 500 a 800 m² | |||
* 15 bloqueios convencionais | |||
* 3 bloqueios acessíveis | |||
* 8 máquinas de autoatendimento | |||
* 4 bilheterias | |||
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'''Intencionalidade do Espaço:''' | |||
Funciona como a grande bússola orientadora do complexo. A sua ambiência é projetada para proporcionar uma '''transição fluida''' entre o ritmo vibrante da rua e a logística do embarque. | |||
A articulação espacial — com pé-direito generoso, iluminação ampla e ausência de barreiras visuais — garante total '''legibilidade do espaço'''. Isso minimiza atritos e estresse nos fluxos de multidões, tornando o ato de comprar bilhetes e acessar os bloqueios uma experiência intuitiva e livre de estrangulamentos. | |||
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[[File:2026-06-23-World Trade Center Oculus 800px.png|thumb|left|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/07_imagens/imagens-da-internet/2026-06-23-World%20Trade%20Center%20Oculus.png]] | |||
''World Trade Center Oculus, masterplan por Daniel Libeskind e projeto de Santiago Calatrava, Nova York'' | |||
|- valign="top" | |||
| '''3. Integração Modal''' | |||
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'''Setor Metrô''' | |||
* Plataformas centrais | |||
* Salas técnicas | |||
* Sala de operação | |||
'''Setor Trem Metropolitano''' | |||
* Plataformas laterais | |||
* Área de espera | |||
* Salas operacionais | |||
'''Setor Monotrilho''' | |||
* Plataformas elevadas | |||
* Controle operacional | |||
'''Integração''' | |||
* Corredores de transferência | |||
* Zonas de organização e distribuição contínua de fluxos modais | |||
* Escadas rolantes | |||
* Elevadores | |||
* Passarelas cobertas | |||
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'''Intencionalidade do Espaço:''' | |||
É o coração logístico que costura as diferenças de escala da metrópole. A ambiência deve transmitir a sensação de um percurso contínuo, protegido e integrado. | |||
A articulação entre elevadores, passarelas e corredores deve permitir conexões rápidas e curtas entre as linhas de alta capacidade e os modais menores que vencem as encostas, transformando a baldeação em um '''passeio visualmente estimulante''' e confortável, sem a sensação de estar em um labirinto confinado. | |||
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[[File:2026-06-23-Rotterdan Central Station 800px.png|thumb|left|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/07_imagens/imagens-da-internet/2026-06-23-Rotterdan_Central_Station.png]] | |||
''Rotterdan Central City Station, MVSA, Rotterdan'' | |||
|- valign="top" | |||
| '''4. Plataformas''' | |||
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'''Metrô''' | |||
* 2 plataformas | |||
* Portas de plataforma (PSD) | |||
'''Trem Metropolitano''' | |||
* 2 plataformas | |||
* Possibilidade de expansão futura | |||
'''Monotrilho''' | |||
* 2 plataformas elevadas | |||
'''Elementos Comuns''' | |||
* Áreas de espera | |||
* Zonas de separação de fluxos (embarque x desembarque) | |||
* Sinalização | |||
* Bancos | |||
* Piso tátil | |||
* Proteção climática | |||
* Faixa de segurança | |||
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'''Intencionalidade do Espaço:''' | |||
As plataformas devem ser projetadas visando '''segurança, amplitude e conforto climático'''. | |||
Sua espacialidade é dimensionada não apenas para a movimentação atual, mas de forma generosa para absorver os futuros adensamentos da vizinhança. O posicionamento do mobiliário, o piso tátil e o contato visual desimpedido com as vias evitam pontos cegos, garantindo uma espera agradável e serena antes do embarque. | |||
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[[File:2026-06-23-Rotterdan Central Station plataforma 800px.png|thumb|left|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/07_imagens/imagens-da-internet/2026-06-23-Rotterdan_Central_Station_plataforma.png]] | |||
''Rotterdan Central City Station, MVSA, Rotterdan'' | |||
|- valign="top" | |||
| '''5. Apoio ao Usuário''' | |||
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'''Saúde''' | |||
* Sala de primeiros socorros | |||
* Ambulatório básico | |||
'''Sanitários (Setorizados na Área Não Paga e Área Paga)''' | |||
* Masculino | |||
* Feminino | |||
* Familiar | |||
* PCD | |||
'''Apoio ao Usuário''' | |||
* Fraldário | |||
* Sala de amamentação | |||
* Guarda-volumes | |||
* Achados e perdidos | |||
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'''Intencionalidade do Espaço:''' | |||
Estabelece uma atmosfera de '''amparo e dignidade'''. A alocação desses equipamentos deve ocorrer em pontos de alta visibilidade e fácil intercepção nos trajetos naturais. | |||
A articulação de fraldários, sanitários e salas de saúde reforça a estação como um ambiente cívico e acolhedor, cujo design universal se adapta ativamente para suportar as necessidades de famílias, idosos e pessoas com deficiência. | |||
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[[File:2026-06-23-Acessibilidade metro sp 800px.png|thumb|left|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/07_imagens/imagens-da-internet/2026-06-23-Acessibilidade_metro_sp.png]] | |||
''Acessibilidade em Libras no metrô de São Paulo'' | |||
|- valign="top" | |||
| '''6. Administração e Operação''' | |||
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'''Operação''' | |||
* Centro de Controle Operacional (CCO) | |||
* Sala de monitoramento | |||
* Sala de segurança | |||
* Sala de despachantes | |||
'''Administração''' | |||
* Escritórios | |||
* Salas de reunião | |||
* Arquivo | |||
'''Funcionários''' | |||
* Copa | |||
* Refeitório | |||
* Vestiários | |||
* Área de descanso | |||
* Setores de apoio logístico/limpeza | |||
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'''Intencionalidade do Espaço:''' | |||
Atua como o '''sistema nervoso central''' do complexo. A articulação destas áreas ocorre de forma independente, sem cruzar diretamente o fluxo do público geral. | |||
Sua ambiência interna foca no conforto e no foco da equipe, enquanto a sua inserção estratégica no projeto garante que a vigilância e o monitoramento operem perfeitamente nos bastidores, irradiando para a área pública uma constante sensação de organização e segurança. | |||
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[[File:2026-06-23-Beijing South Railway Station administrativos 800px.png|thumb|left|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/07_imagens/imagens-da-internet/2026-06-23-Beijing_South_Railway_Station_administrativos.png]] | |||
''Beijing South Railway Station, Farrells'' | |||
|- valign="top" | |||
| '''7. Áreas Técnicas''' | |||
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'''Instalações Técnicas''' | |||
* Subestação elétrica | |||
* Sala de baterias | |||
* Sala de TI | |||
* Sala de telecomunicações | |||
'''Infraestrutura Predial''' | |||
* Geradores | |||
* Reservatórios | |||
* Casa de bombas | |||
* Central de resíduos | |||
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'''Intencionalidade do Espaço:''' | |||
Representa o '''metabolismo da edificação'''. São ambientes de articulação estrita e técnica, desenhados para não interferir na experiência sensorial do passageiro. | |||
De forma silenciosa, estas infraestruturas dão o suporte necessário para que a estação respire e opere de forma resiliente, acomodando desde os sistemas responsáveis pelo manejo ecológico da água das chuvas até a eficiência energética do complexo intermodal. | |||
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[[File:2026-06-23-Beijing South Railway Station 800px.png|thumb|left|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/07_imagens/imagens-da-internet/2026-06-23-Beijing_South_Railway_Station.png]] | |||
''Beijing South Railway Station, Farrells'' | |||
|- valign="top" | |||
| '''8. Equipamentos Comerciais''' | |||
| | |||
'''Alimentação''' | |||
* Praça de alimentação | |||
* Cafeterias | |||
'''Comércio''' | |||
* Mercado urbano | |||
* Farmácia | |||
* Livraria | |||
* Lojas de conveniência | |||
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'''Intencionalidade do Espaço:''' | |||
É a principal âncora de '''vitalidade e dinamismo'''. A articulação espacial foca na permeabilidade: ao posicionar cafés e lojas com vitrines amplas diretamente para os fluxos e praças, o limite entre a estação e a calçada se dissolve. | |||
Essa ambiência vibrante convida a cidade a consumir o espaço independentemente do transporte. A presença contínua de pessoas gera vigilância natural e luminosidade, tornando os arredores ativos e seguros do dia até a noite. | |||
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[[File:2026-06-23-Hong Kong West Kowloon Station.png|thumb|left|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/07_imagens/imagens-da-internet/2026-06-23-Hong%20Kong%20West%20Kowloon%20Station.png]] | |||
''Hong Kong West Kowloon Station, Andrew Bromberg Architects'' | |||
|- valign="top" | |||
| '''9. Equipamentos de Serviços''' | |||
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'''Serviços Financeiros e Postais''' | |||
* Agência bancária | |||
* Correios | |||
'''Trabalho e Estudo''' | |||
* Coworking | |||
* Espaços de estudo | |||
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'''Intencionalidade do Espaço:''' | |||
Transforma a estação em um autêntico '''polo de destino''', capaz de resolver o cotidiano das pessoas no mesmo local. | |||
A disposição de áreas de estudo e coworking aliada aos serviços postais cria bolsões de calmaria e concentração em contraste com a velocidade do transporte. Essa articulação atrai um público diverso, instigando a formação de uma vizinhança autônoma que utiliza o complexo como uma verdadeira extensão do seu local de moradia e trabalho. | |||
| | |||
[[File:2026-06-23-Hong Kong West Kowloon Station parque.png|thumb|left|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/07_imagens/imagens-da-internet/2026-06-23-Hong%20Kong%20West%20Kowloon%20Station_parque.png]] | |||
''Hong Kong West Kowloon Station, Andrew Bromberg Architects'' | |||
|} | |||
== Programa Especifico das Estações de Monotrilho na Serra do Curral == | |||
[[File:TESTE ESTAÇÕES.png|thumb|link=http://150.164.107.115/urb608/index.php?title=Especial:Lista_de_arquivos&dir=prev&offset=20260623033225%7CTESTE_ESTAÇÃO_2.png#/media/Arquivo:TESTE_ESTAÇÕES.png|Linha de Monotrilho Temática da Serra do Curral|379x379px|esquerda]] | |||
=== | Para além da função de transporte, a linha de monotrilho foi pensada como uma oportunidade de '''promover novos usos e atividades ao longo da Serra do Curral.''' Dentre as linhas propostas, foi selecionado '''um trecho para o desenvolvimento de um programa urbanístico, ambiental e infraestrutural mais detalhado,''' devido à sua capacidade de conectar Belo Horizonte, Nova Lima e Sabará, além de atravessar áreas de grande relevância paisagística e turística. A partir das características de cada localidade, '''além do programa básico''', foram propostos '''programas complementares às estações''', buscando valorizar as potencialidades existentes e estimular atividades ligadas à cultura, ao turismo, à gastronomia, ao esporte e ao lazer. [[File:2026-06-24-Espaço cultual estação Mapucho 800px.png|thumb|link=http://150.164.107.115/urb608/index.php?title=Especial:Lista_de_arquivos&dir=prev&offset=20260623033225%7CTESTE_ESTAÇÃO_2.png#/media/Arquivo:2026-06-24-Espaço_cultual_estação_Mapucho_800px.png|Espaço Cultural Estação Mapucho]] | ||
A adoção de '''espaços híbridos''' ganha especial relevância na '''Estação BH Shopping''', atuando como uma resposta urbana direta ao perfil do seu entorno imediato. Localizada em uma centralidade de borda fortemente marcada pela dependência rodoviária, por condomínios fechados e espaços exclusivos de consumo, a região carece historicamente de praças cívicas e equipamentos culturais de acesso público e gratuito. Nesse cenário, o projeto subverte a lógica da segregação socioespacial e do consumo mercantilizado (Serpa, 2007), propondo que a própria infraestrutura de mobilidade atue como o principal polo cultural da área. Ao incorporar galerias, exposições de arte e espaços para eventos comunitários, a cultura atua como um poderoso "instrumento de humanização" (Sandrin, 2018) dos imensos fluxos de passageiros. Assim, a Estação BH Shopping transcende a sua função utilitária de baldeação, consolidando-se como um contraponto público essencial ao centro comercial adjacente. Integrado visual e fisicamente à paisagem da '''Serra do Curral''', o equipamento deixa de ser um mero vetor de passagem para se tornar um autêntico polo de destino, democratizando o direito à cidade e inserindo a cultura no cotidiano de um território historicamente privatizado. | |||
'''Proposta de Programa para as 4 Estações de Monotrilho da Linha da Serra do Curral:''' | |||
== Programa Básico das Estações de Monotrilho na Serra do Curral == | |||
{| class="wikitable" | |||
! Estação | |||
! Conceito | |||
! Programa Básico | |||
! Imagens | |||
|- | |||
| '''Estação 1 – BH Shopping''' | |||
| A estação BH Shopping foi pensada como um espaço dedicado à '''cultura e à convivência urbana.''' Aproveitando sua localização em uma área de grande circulação, reúne atividades ligadas à arte, à educação e ao entretenimento, criando oportunidades para exposições, apresentações, oficinas e encontros que aproximam as pessoas da produção cultural. | |||
| | |||
* Auditório multiuso | |||
* Galeria para exposições temporárias | |||
* Salas para oficinas culturais | |||
* Cinema e espaço audiovisual | |||
* Praça para eventos e apresentações | |||
* Cafés e livraria | |||
| | |||
[[File:TESTE ESTAÇÃO 1.2.png|thumb|right|link=http://150.164.107.115/urb608/images/f/f2/TESTE_ESTAÇÃO_1.2.png|Estação 1 – BH Shopping]] | |||
|- | |||
| '''Estação 2 – Mirante Águas Claras''' | |||
| Implantada em um dos pontos mais privilegiados da Serra do Curral, a estação Mirante Águas Claras tem como foco a relação entre '''natureza, ciência e contemplação.''' Seu programa incentiva a observação da paisagem, do céu noturno e dos aspectos ambientais da região, promovendo experiências educativas e de contato com o meio natural. | |||
| | |||
* Observatório astronômico | |||
* Planetário | |||
* Mirantes | |||
* Trilhas interpretativas | |||
* Espaços expositivos sobre geologia e meio ambiente | |||
* Café panorâmico | |||
| | |||
[[File:TESTE ESTAÇÃO 2.png|thumb|right|link=http://150.164.107.115/urb608/images/2/25/TESTE_ESTAÇÃO_2.png|Estação 2 – Mirante Águas Claras]] | |||
|- | |||
| '''Estação 3 – Lobo-Guará''' | |||
| A estação Lobo-Guará transforma a '''gastronomia em um elemento de atração e permanência.''' Em meio à paisagem da serra, o espaço valoriza a culinária mineira e os produtores locais por meio de mercados, restaurantes e eventos, criando um ambiente que conecta cultura, território e alimentação. Podendo funcionar tanto de manhã quanto de noite. | |||
| | |||
* Mercado gastronômico | |||
* Praça de alimentação | |||
* Restaurantes | |||
* Espaço para produtores locais | |||
* Cozinha experimental | |||
* Escola de gastronomia | |||
* Área para festivais gastronômicos | |||
* Praça de convivência | |||
| | |||
[[File:TESTE ESTAÇÃO 3.png|thumb|right|link=http://150.164.107.115/urb608/images/2/28/TESTE_ESTAÇÃO_3.png|Estação 3 – Lobo-Guará]] | |||
|- | |||
| '''Estação 4 – Velhas''' | |||
| A estação Velhas foi concebida como um '''espaço voltado ao esporte, à educação e à convivência comunitária, integrado à paisagem da serra.''' Seu programa reúne atividades culturais, recreativas e de bem-estar, promovendo oportunidades de aprendizado, lazer e interação social para diferentes públicos e faixas etárias. | |||
| | |||
* Biblioteca | |||
* Teatro | |||
* Salas para oficinas | |||
* Espaço expositivo | |||
* Quadras esportivas | |||
* Piscina | |||
* Academia | |||
* Áreas de convivência | |||
* Restaurante e cafeteria | |||
| | |||
[[File:TESTE ESTAÇÃO 4.png|thumb|right|link=http://150.164.107.115/urb608/images/3/3e/TESTE_ESTAÇÃO_4.png|Estação 4 – Velhas]] | |||
|} | |||
== | == Sistema Básico Construtivo Estação BH Shopping== | ||
[[File:Estacao BH Shopping.png|thumb|link=http://150.164.107.115/urb608/images/a/a7/Estacao_BH_Shopping.png|Estação BH Shopping|379x379px|direita]] | |||
O sistema construtivo da Estação BH Shopping foi desenvolvido a partir de uma malha modular de 12,00 × 12,00 m, que organiza a estrutura, os fluxos e a distribuição dos programas. A subdivisão em módulos de 6,00 m e 3,00 m proporciona maior flexibilidade na ocupação dos espaços, permitindo diferentes configurações conforme as necessidades de cada ambiente. | |||
Na Estação BH Shopping, a modulação também orienta a setorização do programa, separando as áreas de transporte, circulação, comércio, administração e, principalmente, os equipamentos de cultura e lazer, que assumem papel central na proposta. Essa organização facilita a circulação dos usuários e cria espaços públicos de permanência e convivência. A mesma lógica pode ser aplicada às demais estações da linha, adaptando os programas às características de cada local sem perder a identidade do sistema. | |||
== | == Paisagismo e Infraestrutura Verde-Azul == | ||
O projeto paisagístico da estação multimodal é concebido como uma '''infraestrutura ambiental integrada''', capaz de articular '''mobilidade''', '''biodiversidade''', '''drenagem urbana''' e '''conforto bioclimático'''. A proposta estabelece uma conexão ambiental entre as áreas construídas e o território, atuando como um amortecedor ecológico por meio da introdução de '''vegetação nativa da Serra do Curral''' e dos domínios do '''Cerrado''', organizada em diferentes estratos arbóreos, arbustivos, herbáceos e de forração. | |||
=== | === Biodiversidade e Suporte à Fauna === | ||
A | A composição vegetal foi estruturada para garantir a oferta contínua de '''flores''', '''frutos''' e '''sementes''' ao longo do ano, ampliando a disponibilidade de recursos para a fauna urbana. Dessa forma, o paisagismo passa a desempenhar função ecológica ativa, contribuindo para a manutenção dos processos naturais e para o fortalecimento da '''conectividade ecológica''' no território metropolitano. | ||
=== Distribuição da Vegetação === | |||
A vegetação é organizada em conjuntos biodiversos adaptados às demandas funcionais e fenomenológicas de cada setor da estação: | |||
[[File:2026-06-19-1200px_planta.png|thumb|left|link=http://150.164.107.115/arquivos/urb608/07_imagens/imagens-da-internet/2026-06-19-Mulungu_Gabiroba_Caliandra_Aroeira_planta.png|Espécies representativas utilizadas no projeto paisagístico da estação multimodal.]] | |||
* '''Praças de entrada''' — espécies ornamentais nativas voltadas à construção de identidade paisagística e qualificação da experiência de chegada (Mulungu, Ipê-amarelo, Ipê-roxo, Angico-vermelho). | |||
* '''Áreas de permanência''' — espécies frutíferas e produtoras de sementes que ampliam o sombreamento e a oferta de recursos para a fauna (Pitangueira, Uvaia, Gabiroba). | |||
* '''Áreas de alimentação''' — espécies floríferas atrativas para polinizadores e capazes de qualificar os espaços de convivência (Caliandra, Quaresmeira, Ipê-rosa, Cambará). | |||
* '''Taludes e encostas''' — espécies nativas com elevada capacidade de fixação dos solos, contribuindo para a estabilização das encostas e redução dos processos erosivos (Capixingui, Pau-jacaré, Aroeira-pimenteira). | |||
=== Infraestrutura Verde e Gestão das Águas === | |||
A diversidade de estratos vegetais desempenha papel fundamental na '''gestão das águas pluviais'''. A combinação entre árvores, arbustos, herbáceas e forrações aumenta o atrito superficial, reduz a velocidade do escoamento e favorece a infiltração da água no solo. Como complemento, são previstas '''valetas vegetadas''', dispositivos de '''desaceleração hídrica''' e outras '''soluções baseadas na natureza''' voltadas ao controle da erosão e à qualificação da drenagem local. | |||
=== Conforto Bioclimático === | |||
O paisagismo responde às condicionantes climáticas da região por meio da utilização de espécies adaptadas ao clima local e da criação de áreas com diferentes níveis de insolação e sombreamento. Espécies caducifólias, como '''ipês''' e '''mulungus''', permitem maior incidência solar durante os meses frios e proporcionam sombra durante o verão, contribuindo para a redução das '''ilhas de calor''' e para a melhoria do conforto ambiental ao longo de todo o ano. | |||
=== Descarbonização e Adaptação Climática === | |||
A | A ampliação da cobertura vegetal contribui diretamente para a '''descarbonização da mobilidade metropolitana'''. A associação entre '''transporte coletivo de média e alta capacidade''', aumento da '''permeabilidade do solo''', incremento da '''arborização urbana''' e fortalecimento da infraestrutura ecológica transforma a estação em um equipamento capaz de integrar mobilidade, adaptação climática e qualificação ambiental em uma única estratégia territorial. | ||
== | == Bibliografia Geral e Obras Citadas == | ||
* '''ANDRADE, G. T.''' ''Sistema ferroviário e a promoção da mobilidade sustentável: uma análise da inclusão espacial das favelas''. 2015. 145 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Transportes) – COPPE, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015. | |||
* '''BERTOLINI, L.''' Spatial development patterns and public transport: the application of an analytical model in the Netherlands. ''Planning Practice & Research'', v. 14, n. 2, p. 199-210, 1999. | |||
* '''BRANDÃO, L. S.; PANTOJA, J. da C.; MEDEIROS, V. A. S.; PAZOS, R. E.''' Transit-oriented development (TOD) in a scattered city: applied study in Brasília, Federal District. ''Revista de Gestão e Secretariado (GeSec)'', São Paulo, v. 15, n. 2, p. 01-17, 2024. | |||
* '''CERVERO, R.''' ''The Transit Metropolis: A Global Inquiry''. Washington, D.C.: Island Press, 1998. | |||
* '''CONSÓRCIO CONEXÃO RIO''' (Urban Systems, Finarq, Ramboll, Porto Marinho). ''Relatório Masterplan: Centro do Rio de Janeiro''. Rio de Janeiro: BNDES / Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, 2023. | |||
* '''EMBARQ BRASIL.''' ''DOTS Cidades: Manual de Desenvolvimento Urbano Orientado ao Transporte Sustentável''. 2. ed. Porto Alegre: EMBARQ Brasil, 2015. | |||
* '''GEHL, J.''' ''Cities for People''. Washington, D.C.: Island Press, 2010. | |||
* '''IDB - INTER-AMERICAN DEVELOPMENT BANK''' ''et al''. ''Transit Oriented Development: How to make cities more compact, connected and coordinated. Recommendations for Brazilian Municipalities''. [S.l.]: BID, 2021. | |||
* '''JACOBS, J.''' ''Morte e vida de grandes cidades''. Tradução de Carlos S. Mendes Rosa. São Paulo: Martins Fontes, 2000. [Edição original de 1961]. | |||
* '''KNEIB, E. C.; MELLO, A. J. R.; GONZAGA, A. S. da S.''' Macroacessibilidade orientada à equidade e à integração com o território. In: PORTUGAL, L. da S. (Org.). ''Transporte, Mobilidade e Desenvolvimento Urbano''. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. | |||
* '''KRIEGER, A.; SAUNDERS, W. S.''' (Ed.). ''Urban Design''. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2009. | |||
* '''LEFEBVRE, H.''' ''O direito à cidade''. São Paulo: Moraes, 1991. | |||
* '''MELLO, A. J. R.; KNEIB, E. C.''' Mesoacessibilidade orientada ao transporte público e ao não motorizado com foco no desenvolvimento equilibrado e autônomo. In: PORTUGAL, L. da S. (Org.). ''Transporte, Mobilidade e Desenvolvimento Urbano''. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. | |||
* '''OLIVEIRA, U. J. de F.''' ''Proposta de Implantação de Sistema de Transporte de Passageiros do Tipo Monotrilho na Região Metropolitana de Vitória''. Projeto de Pesquisa (Pós-Graduação) - Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), Vitória, [s.d.]. | |||
* '''POLANSKY, D.''' ''et al''. ''MediaWiki User Guide''. Wikibooks, 2013. | |||
* '''PORTUGAL, L. da S.''' (Org.). ''Transporte, Mobilidade e Desenvolvimento Urbano''. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. | |||
* '''SERPA, A.''' ''O espaço público na cidade contemporânea''. São Paulo: Contexto, 2007. | |||
* '''VASCONCELLOS, E. A. de.''' ''Transporte urbano, espaço e equidade: análise das políticas públicas''. São Paulo: Annablume, 2001. | |||
* '''ZEGRAS, P. C.''' ''Sustainable urban mobility: exploring the role of the built environment''. 2005. Tese (Doutorado) – Massachusetts Institute of Technology, Cambridge, MA, 2005. | |||
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Edição atual tal como às 11h45min de 3 de julho de 2026
Autores: Augusto Teixeira Soares, Lucas Barbosa Prudente, Kayke Iury de Oliveira Sousa e Sofia Figueiredo Januario Silva
Palavras-chave: Mobilidade metropolitana; Integração multimodal; Transporte sobre trilhos; Transporte de alta capacidade; Sistema de teleféricos; Mobilidade; Planejamento territorial; Centralidade; Conectividade; Desenvolvimento urbano sustentável;
Rede Metropolitana Pós-Carro e Mobilidade sobre Trilhos
Conceito do Plano
A proposta fundamenta-se nos princípios do Desenvolvimento Orientado ao Transporte Sustentável (DOTS), estratégia que visa integrar o planejamento urbano ao de transportes para mitigar a dependência do automóvel particular (Cervero, 1998; EMBARQ Brasil, 2015). O objetivo central é promover a transição de um território fragmentado e disperso, rompendo com o atual modelo urbano "3D" (cidades distantes, dispersas e desconectadas), para a lógica de uma "cidade pós-carro", estruturando um arranjo metropolitano que seja essencialmente "3C": compacto, conectado e coordenado (IDB, 2021). Essa abordagem reconhece que a rua é um espaço social e um recurso público contínuo, devendo priorizar a escala humana, a diversidade de usos e a mobilidade coletiva (Jacobs, 1961; Gehl, 2010).
O eixo estruturante da intervenção baseia-se em prover condições equitativas de mobilidade em diferentes escalas. A nível regional, busca-se garantir a macroacessibilidade, compreendida como a facilidade de atravessar o espaço metropolitano e acessar grandes oportunidades descentralizadas (Vasconcellos, 2001; Kneib e Mello, 2017), conectando rapidamente Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará através de modais de média e alta capacidade (trens e expansão do metrô). Paralelamente, atua-se na mesoacessibilidade, que abrange a ligação funcional entre os bairros periféricos e as centralidades intermunicipais, utilizando sistemas alimentadores adaptáveis, como teleféricos e monotrilhos, para vencer barreiras topográficas e fundos de vale (Zegras, 2005; Mello e Kneib, 2017).
O epicentro dessa profunda integração territorial é a implantação de uma megaestação na tríplice fronteira municipal. Esta infraestrutura é concebida teoricamente sob o modelo "Nó-Lugar", que pressupõe o equilíbrio necessário entre a forte provisão de infraestrutura de uma rede de transporte e a demanda gerada pelo uso do solo adjacente (Bertolini, 1999; Andrade, 2015). Assim, a estação transcende a sua função física de baldeação e conexão ágil de longas distâncias (a função de Nó, como na ligação intermunicipal), passando a atuar simultaneamente como um polo de altíssima vitalidade, concentrando atividades, comércio, serviços e adensamento misto no seu entorno imediato (a função de Lugar).
Ao assumir esse duplo papel, a estação e a ferrovia consolidam-se como agentes urbanizadores ativos, funcionando como um verdadeiro "entre-lugar", um espaço de alteridade, de encontro de diferentes realidades que desconstroem hierarquias e superam o isolamento e a segregação impostos pelos limites geográficos e municipais (Serpa, 2007). Ao equilibrar a provisão de mobilidade de alta capacidade com o desenvolvimento local sustentável, o plano atrai vitalidade urbana "24x7", instiga novos padrões de apropriação do território e democratiza, efetivamente, o direito à cidade (Lefebvre, 1991; Serpa, 2007). ```
Delimitação da área do plano

O Setor 3 compreende áreas estratégicas para a implantação de uma rede de mobilidade metropolitana integrada entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará. A delimitação considera os principais eixos de conexão entre centralidades urbanas e áreas periféricas, incluindo corredores de transporte, fundos de vale e áreas próximas a infraestruturas ferroviárias existentes. Possibilitando assim a:
- Integração entre metrô, monotrilho, teleféricos e linhas férreas reativadas
- Criação de pontos de interseção multimodal e de uma nova centralidade regional próxima às fronteiras entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará.
Objetivos do plano
Objetivo Geral: Promover a transição para uma cidade pós-carro, estruturando um recorte metropolitano integrado e capaz de ampliar a acessibilidade, reduzir os tempos de deslocamento e fortalecer as conexões entre áreas periféricas e centralidades consolidadas. A proposta busca expandir o acesso a oportunidades de trabalho, educação, lazer e serviços por meio de uma mobilidade coletiva mais eficiente, equitativa e sustentável.
Objetivos Específicos:
- Consolidar uma rede multimodal integrada: articular sistemas de média e alta capacidade com modos alimentadores e percursos qualificados para pedestres e ciclistas, favorecendo deslocamentos mais acessíveis e confortáveis em diferentes escalas.
- Transformar as estações em centralidades urbanas: estimular a diversidade de usos, a vitalidade cotidiana e a aproximação entre moradia, trabalho, comércio, serviços e espaços de convivência, fortalecendo a autonomia local e a vida urbana.
- Associar mobilidade e qualificação ambiental: incorporar infraestrutura verde e soluções baseadas na natureza capazes de melhorar o conforto bioclimático, contribuir para a drenagem urbana e reforçar a adaptação climática do território.
- Promover maior equidade territorial: superar barreiras impostas pela topografia e pela fragmentação metropolitana, ampliando o acesso da população às oportunidades urbanas e fortalecendo as conexões entre Belo Horizonte, Nova Lima, Raposos e Sabará.
Diretrizes do Plano: Reestruturação Intermunicipal Pós-Carro
- Diretriz 1: Macroacessibilidade Estruturante nos Eixos fronteiriços ao Fundo de Vale. Estruturar corredores de transporte de média e alta capacidade (monotrilhos e trens) que respeitem a geomorfologia local, conectando o polo consolidado do BH Shopping às cidades vizinhas sem depender do sistema rodoviário saturado. A transformação do Anel Rodoviário em Anel Ferroviário e a inserção de uma linha de trem na base da Serra do Curral servirão como o tronco metropolitano principal de macroacessibilidadeda região, desviando o fluxo que hoje estrangula as rodovias de acesso a Nova Lima e Sabará.
- Diretriz 2: A Estação e a Ferrovia como Agentes Urbanizadores e "Nó-Lugar". Planejar e implementar todas as estações do sistema de mobilidade sob a perspectiva do modelo "Nó-Lugar". A infraestrutura ferroviária e a própria estação devem atuar ativamente como um agente urbanizador, induzindo o desenvolvimento econômico da região e instigando novos formatos e padrões de ocupação do solo antes não aproveitados [1, 2]. Cada estação deve transcender a função de ser apenas um ponto de acesso e baldeação na rede de transportes, assumindo também a identidade de uma área específica da cidade com concentração de infraestruturas, espaços abertos e dinâmica própria [3]. Toda estação deve ter a competência de equilibrar a oferta de transportes com a demanda gerada pelo uso do solo, conectando-se diretamente aos aspectos e condicionantes do território em questão. Dessa forma, as estações atuarão como minicentralidades em rede, recebendo adensamento misto e espaços públicos que dialoguem com a vizinhança, diluindo a fragmentação territorial sem se restringir a um único centro.
- Diretriz 3: Mesoacessibilidade Vertical para Vencer a Topografia. Dada a topografia acidentada do território, utilizar teleféricos e sistemas alimentadores de menor capacidade para realizar a "mesoacessibilidade" vertical. O objetivo é conectar as comunidades isoladas nas encostas (como áreas periféricas de Sabará e Nova Lima) diretamente às estações estruturantes localizadas nos fundos de vale, garantindo que bairros segregados pelo relevo tenham acesso rápido à rede ferroviária e de monotrilho.
- Diretriz 4: Microacessibilidade e os "5Ds" nos Polos Locais. Aplicar os princípios de Desenvolvimento Orientado ao Transporte (TOD) com base nos "5Ds" (Densidade, Diversidade, Desenho urbano, Destino acessível e Disponibilidade de transporte) no raio de caminhada (cerca de 500m) das estações propostas. As estações próximas ao Sport Club Olaria (Nova Lima), Supermercados BH (Raposos) e Vila Marzagão (Sabará) devem ter suas vias redesenhadas para a escala do pedestre, com fachadas ativas no nível térreo, mobiliário acessível e eliminação de barreiras físicas.
- Diretriz 5: Integração da Mobilidade à Infraestrutura Verde e Azul. Tratar a mobilidade em sinergia com os ecossistemas locais, especialmente o Rio das Velhas e a Serra do Curral. A infraestrutura de transporte deve incorporar soluções baseadas na natureza para mitigar ilhas de calor e inundações sazonais, transformando as áreas de mobilidade em corredores ecológicos contínuos.
Diagrama Esquemático da Rede Metropolitana sobre Trilhos

A consolidação da lógica "3C" (compacto, conectado e coordenado) proposta no Conceito do Plano depende da legibilidade do sistema de transporte como um todo. Para isso, foi desenvolvido um diagrama esquemático no formato de mapa de rede, reunindo as nove camadas de mobilidade sobre trilhos identificadas no território: Metrô, Linhas 1, 2 e 3, Monotrilho, VLT, Trem de carga/passageiros, Trem de passageiros e Linhas de teleférico. Mais do que uma representação geográfica fiel, o diagrama prioriza a topologia das conexões: a forma como cada modal se articula com os demais, evidenciando os pontos de transferência que materializam o modelo "Nó-Lugar" discutido nas Diretrizes do Plano. As estações em destaque (Calafate, Lagoinha, Sta. Teresa, Vila Mazagão, Parque, Lobo-Guará, Velhas e BH Shopping) correspondem aos nós de integração intermodal que estruturam a macro e a mesoacessibilidade da região, servindo como referência espacial para o Programa Básico Integrado das Estações detalhado a seguir.
Programa Básico Integrado das Estações na Serra do Curral
A proposta adota como principal referência os sistemas metropolitanos que utilizam a ferrovia como um indutor e elemento estruturador do território, transformando as estações em núcleos de desenvolvimento urbano sustentável e não apenas em pontos de embarque. Busca-se superar a visão da infraestrutura apenas como um ponto de acesso à rede, equilibrando-a com a criação de um ambiente de alta vitalidade, adensamento e diversidade de usos em seu entorno imediato. Essa abordagem atua como uma ferramenta para reverter a lógica de metrópoles dispersas e desconectadas, consolidando complexos urbanos compactos, conectados e coordenados.
Nesse contexto, o Programa Básico Integrado das Estações na Serra do Curral estabelece uma matriz programática destinada a orientar a implantação de uma rede articulada de estações ao longo do território. Estruturado a partir de uma estação-modelo, o programa define diretrizes espaciais, funcionais e urbanas que servem como referência para os demais equipamentos, permitindo adaptações às especificidades de cada contexto sem comprometer a unidade e a coerência do sistema.
A flexibilidade do modelo busca assegurar o atendimento simultâneo a diferentes escalas de mobilidade, contemplando tanto a macroacessibilidade, por meio da conexão eficiente entre centralidades metropolitanas, quanto a mesoacessibilidade, ao favorecer a integração com os bairros e os deslocamentos locais de caráter capilar. Complementarmente, as adaptações territoriais incorporam estratégias de infraestrutura verde e azul e outras soluções baseadas na natureza, contribuindo para a manutenção dos serviços ecossistêmicos, a qualificação da paisagem e a preservação dos atributos ambientais da Serra do Curral, reconhecida como um território de elevada relevância ecológica, cultural e paisagística.
Mais do que um conjunto de edificações de transporte, as estações são entendidas como infraestruturas cívicas e metropolitanas, capazes de promover mobilidade, permanência, integração territorial e qualificação do espaço urbano. Para isso, os projetos priorizam a escala humana, adotando percursos seguros para modais ativos e fachadas ativas no nível térreo, o que fomenta a diversidade e a vigilância natural . Ao transcenderem a função utilitária, esses equipamentos deixam de ser cenários monumentais de passagem para abrigarem práticas sociais cotidianas, democratizando o acesso às oportunidades e consolidando uma vivência urbana mais inclusiva e igualitária.
A partir disso foi gerado a proposta de Programa de Mobilidade para as estações:
Tabela-síntese do Programa Básico Obrigatório da Estação Intermodal
Programa Especifico das Estações de Monotrilho na Serra do Curral

Para além da função de transporte, a linha de monotrilho foi pensada como uma oportunidade de promover novos usos e atividades ao longo da Serra do Curral. Dentre as linhas propostas, foi selecionado um trecho para o desenvolvimento de um programa urbanístico, ambiental e infraestrutural mais detalhado, devido à sua capacidade de conectar Belo Horizonte, Nova Lima e Sabará, além de atravessar áreas de grande relevância paisagística e turística. A partir das características de cada localidade, além do programa básico, foram propostos programas complementares às estações, buscando valorizar as potencialidades existentes e estimular atividades ligadas à cultura, ao turismo, à gastronomia, ao esporte e ao lazer.

A adoção de espaços híbridos ganha especial relevância na Estação BH Shopping, atuando como uma resposta urbana direta ao perfil do seu entorno imediato. Localizada em uma centralidade de borda fortemente marcada pela dependência rodoviária, por condomínios fechados e espaços exclusivos de consumo, a região carece historicamente de praças cívicas e equipamentos culturais de acesso público e gratuito. Nesse cenário, o projeto subverte a lógica da segregação socioespacial e do consumo mercantilizado (Serpa, 2007), propondo que a própria infraestrutura de mobilidade atue como o principal polo cultural da área. Ao incorporar galerias, exposições de arte e espaços para eventos comunitários, a cultura atua como um poderoso "instrumento de humanização" (Sandrin, 2018) dos imensos fluxos de passageiros. Assim, a Estação BH Shopping transcende a sua função utilitária de baldeação, consolidando-se como um contraponto público essencial ao centro comercial adjacente. Integrado visual e fisicamente à paisagem da Serra do Curral, o equipamento deixa de ser um mero vetor de passagem para se tornar um autêntico polo de destino, democratizando o direito à cidade e inserindo a cultura no cotidiano de um território historicamente privatizado.
Proposta de Programa para as 4 Estações de Monotrilho da Linha da Serra do Curral:
Programa Básico das Estações de Monotrilho na Serra do Curral
Sistema Básico Construtivo Estação BH Shopping

O sistema construtivo da Estação BH Shopping foi desenvolvido a partir de uma malha modular de 12,00 × 12,00 m, que organiza a estrutura, os fluxos e a distribuição dos programas. A subdivisão em módulos de 6,00 m e 3,00 m proporciona maior flexibilidade na ocupação dos espaços, permitindo diferentes configurações conforme as necessidades de cada ambiente.
Na Estação BH Shopping, a modulação também orienta a setorização do programa, separando as áreas de transporte, circulação, comércio, administração e, principalmente, os equipamentos de cultura e lazer, que assumem papel central na proposta. Essa organização facilita a circulação dos usuários e cria espaços públicos de permanência e convivência. A mesma lógica pode ser aplicada às demais estações da linha, adaptando os programas às características de cada local sem perder a identidade do sistema.
Paisagismo e Infraestrutura Verde-Azul
O projeto paisagístico da estação multimodal é concebido como uma infraestrutura ambiental integrada, capaz de articular mobilidade, biodiversidade, drenagem urbana e conforto bioclimático. A proposta estabelece uma conexão ambiental entre as áreas construídas e o território, atuando como um amortecedor ecológico por meio da introdução de vegetação nativa da Serra do Curral e dos domínios do Cerrado, organizada em diferentes estratos arbóreos, arbustivos, herbáceos e de forração.
Biodiversidade e Suporte à Fauna
A composição vegetal foi estruturada para garantir a oferta contínua de flores, frutos e sementes ao longo do ano, ampliando a disponibilidade de recursos para a fauna urbana. Dessa forma, o paisagismo passa a desempenhar função ecológica ativa, contribuindo para a manutenção dos processos naturais e para o fortalecimento da conectividade ecológica no território metropolitano.
Distribuição da Vegetação
A vegetação é organizada em conjuntos biodiversos adaptados às demandas funcionais e fenomenológicas de cada setor da estação:

- Praças de entrada — espécies ornamentais nativas voltadas à construção de identidade paisagística e qualificação da experiência de chegada (Mulungu, Ipê-amarelo, Ipê-roxo, Angico-vermelho).
- Áreas de permanência — espécies frutíferas e produtoras de sementes que ampliam o sombreamento e a oferta de recursos para a fauna (Pitangueira, Uvaia, Gabiroba).
- Áreas de alimentação — espécies floríferas atrativas para polinizadores e capazes de qualificar os espaços de convivência (Caliandra, Quaresmeira, Ipê-rosa, Cambará).
- Taludes e encostas — espécies nativas com elevada capacidade de fixação dos solos, contribuindo para a estabilização das encostas e redução dos processos erosivos (Capixingui, Pau-jacaré, Aroeira-pimenteira).
Infraestrutura Verde e Gestão das Águas
A diversidade de estratos vegetais desempenha papel fundamental na gestão das águas pluviais. A combinação entre árvores, arbustos, herbáceas e forrações aumenta o atrito superficial, reduz a velocidade do escoamento e favorece a infiltração da água no solo. Como complemento, são previstas valetas vegetadas, dispositivos de desaceleração hídrica e outras soluções baseadas na natureza voltadas ao controle da erosão e à qualificação da drenagem local.
Conforto Bioclimático
O paisagismo responde às condicionantes climáticas da região por meio da utilização de espécies adaptadas ao clima local e da criação de áreas com diferentes níveis de insolação e sombreamento. Espécies caducifólias, como ipês e mulungus, permitem maior incidência solar durante os meses frios e proporcionam sombra durante o verão, contribuindo para a redução das ilhas de calor e para a melhoria do conforto ambiental ao longo de todo o ano.
Descarbonização e Adaptação Climática
A ampliação da cobertura vegetal contribui diretamente para a descarbonização da mobilidade metropolitana. A associação entre transporte coletivo de média e alta capacidade, aumento da permeabilidade do solo, incremento da arborização urbana e fortalecimento da infraestrutura ecológica transforma a estação em um equipamento capaz de integrar mobilidade, adaptação climática e qualificação ambiental em uma única estratégia territorial.
Bibliografia Geral e Obras Citadas
- ANDRADE, G. T. Sistema ferroviário e a promoção da mobilidade sustentável: uma análise da inclusão espacial das favelas. 2015. 145 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Transportes) – COPPE, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.
- BERTOLINI, L. Spatial development patterns and public transport: the application of an analytical model in the Netherlands. Planning Practice & Research, v. 14, n. 2, p. 199-210, 1999.
- BRANDÃO, L. S.; PANTOJA, J. da C.; MEDEIROS, V. A. S.; PAZOS, R. E. Transit-oriented development (TOD) in a scattered city: applied study in Brasília, Federal District. Revista de Gestão e Secretariado (GeSec), São Paulo, v. 15, n. 2, p. 01-17, 2024.
- CERVERO, R. The Transit Metropolis: A Global Inquiry. Washington, D.C.: Island Press, 1998.
- CONSÓRCIO CONEXÃO RIO (Urban Systems, Finarq, Ramboll, Porto Marinho). Relatório Masterplan: Centro do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: BNDES / Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, 2023.
- EMBARQ BRASIL. DOTS Cidades: Manual de Desenvolvimento Urbano Orientado ao Transporte Sustentável. 2. ed. Porto Alegre: EMBARQ Brasil, 2015.
- GEHL, J. Cities for People. Washington, D.C.: Island Press, 2010.
- IDB - INTER-AMERICAN DEVELOPMENT BANK et al. Transit Oriented Development: How to make cities more compact, connected and coordinated. Recommendations for Brazilian Municipalities. [S.l.]: BID, 2021.
- JACOBS, J. Morte e vida de grandes cidades. Tradução de Carlos S. Mendes Rosa. São Paulo: Martins Fontes, 2000. [Edição original de 1961].
- KNEIB, E. C.; MELLO, A. J. R.; GONZAGA, A. S. da S. Macroacessibilidade orientada à equidade e à integração com o território. In: PORTUGAL, L. da S. (Org.). Transporte, Mobilidade e Desenvolvimento Urbano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
- KRIEGER, A.; SAUNDERS, W. S. (Ed.). Urban Design. Minneapolis: University of Minnesota Press, 2009.
- LEFEBVRE, H. O direito à cidade. São Paulo: Moraes, 1991.
- MELLO, A. J. R.; KNEIB, E. C. Mesoacessibilidade orientada ao transporte público e ao não motorizado com foco no desenvolvimento equilibrado e autônomo. In: PORTUGAL, L. da S. (Org.). Transporte, Mobilidade e Desenvolvimento Urbano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
- OLIVEIRA, U. J. de F. Proposta de Implantação de Sistema de Transporte de Passageiros do Tipo Monotrilho na Região Metropolitana de Vitória. Projeto de Pesquisa (Pós-Graduação) - Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), Vitória, [s.d.].
- POLANSKY, D. et al. MediaWiki User Guide. Wikibooks, 2013.
- PORTUGAL, L. da S. (Org.). Transporte, Mobilidade e Desenvolvimento Urbano. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
- SERPA, A. O espaço público na cidade contemporânea. São Paulo: Contexto, 2007.
- VASCONCELLOS, E. A. de. Transporte urbano, espaço e equidade: análise das políticas públicas. São Paulo: Annablume, 2001.
- ZEGRAS, P. C. Sustainable urban mobility: exploring the role of the built environment. 2005. Tese (Doutorado) – Massachusetts Institute of Technology, Cambridge, MA, 2005.












